O Reino do Mbalundu, uma instituição secular em Angola, enfrenta uma crise de dignidade e legitimidade devido à ligação do seu atual rei a um partido político. Segundo Paulo Lukamba Gato, descendente de uma família historicamente ligada à instituição real, a imagem do túmulo do seu avô paterno, EkuiKui Kalupe, que faleceu em 1945, é um testemunho da ligação da família à linhagem real do Mbalundu.

O avô de Paulo Lukamba Gato foi diácono do Centro Evangélico de Kaputu, no município do Chiyumbu, e uma figura respeitada na sua comunidade. O nome EkuiKui que ostentava é um importante testemunho da ligação histórica da família à linhagem real do Mbalundu. Paulo Lukamba Gato defende que a dignidade e a independência da instituição real devem ser preservadas e não sacrificadas no altar das conveniências político-partidárias.

O Reino do Mbalundu existe há séculos e é anterior ao aparecimento dos partidos políticos angolanos, que surgiram no final da década de 1950 e no início dos anos 1960. Os reis passaram, as gerações sucederam-se, os regimes políticos transformaram-se, mas a instituição real permaneceu como símbolo da identidade, da história e da continuidade cultural do povo do Mbalundu.

Paulo Lukamba Gato critica a postura do atual Rei do Mbalundu, que se apresenta como militante do partido que governa Angola, envolvendo a autoridade tradicional nas disputas político-partidárias. Ele argumenta que um rei não deve comportar-se como um simples militante partidário, pois a sua autoridade não deriva de um cartão de militante, mas de uma legitimidade histórica, cultural e tradicional.

A autoridade moral da instituição real está fragilizada pela ligação do rei a um partido político, o que compromete a imparcialidade que a sua função exige. Além disso, isso pode transformar um património colectivo num instrumento de conveniência política. Paulo Lukamba Gato não contesta o direito individual de qualquer cidadão possuir convicções políticas, mas sim a confusão entre essas convicções e o exercício de uma autoridade tradicional.

O Reino do Mbalundu é uma herança de séculos e não pode ser apropriado por partidos políticos, que são instituições do presente. Paulo Lukamba Gato defende que a dignidade da linhagem real não nasceu com nenhum partido e não deve ficar subordinada a nenhum governo. Ele considera que defender esta independência é proteger a monarquia tradicional de quem possa comprometer o seu prestígio e a sua legitimidade histórica.

A ligação do Reino do Mbalundu à história e à cultura do povo angolano é um facto incontornável. A instituição real é um símbolo da identidade e da continuidade cultural do povo do Mbalundu. Paulo Lukamba Gato espera que a dignidade e a independência do Reino do Mbalundu sejam preservadas para as gerações futuras.

Key points

  • A ligação do atual Rei do Mbalundu a um partido político angolano está a comprometer a dignidade e a legitimidade da instituição real.
  • O Reino do Mbalundu é uma instituição secular que existe há séculos e é anterior ao aparecimento dos partidos políticos angolanos.
  • A preservação da dignidade e da independência do Reino do Mbalundu é fundamental para a manutenção da sua legitimidade histórica e cultural.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.