O antigo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou recentemente o seu regresso ao país após quase um ano exilado no Senegal e noutros países da região. Embaló, que foi deposto num golpe militar em novembro de 2025, revelou que será candidato às eleições presidenciais de dezembro. A notícia do seu regresso não foi surpreendente, pois era esperada a qualquer momento.
A Guiné-Bissau viveu um golpe militar em novembro de 2025, que derrubou Embaló do poder. O golpe foi liderado pelo general Horta Inta-a, que se tornou presidente de transição. A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas de divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais.
Recentemente, a Guiné-Bissau aprovou uma nova Constituição em referendo, que reforça os poderes do Presidente da República. Esta mudança política permitiu que Embaló se apresentasse como candidato às eleições presidenciais de dezembro. O seu partido, o Madem G15, realizará um congresso nos dias 16 e 17 de outubro, e será lançada a Plataforma Republicana, que reúne mais de uma dezena de partidos e que deverá dar o apoio à candidatura de Sissoco Embaló.
Embaló anunciou o seu "regresso voluntário ao país" para o próximo dia 04 de outubro e apelou a que a sua chegada decorra "num ambiente de harmonia, tolerância e respeito mútuo". O ex-Presidente guineense considera que o general Horta N"Tam Inta-a, presidente de transição, respeitará os termos da carta de transição e não se candidatará, o que deixa o caminho aberto para o início da pré-campanha.
A oposição guineense suspeita que o golpe militar que derrubou Embaló foi um golpe de teatro forjado entre ele e o líder militar, general Horta N-Tam. No entanto, o facto de a nova Constituição ter sido aprovada em referendo com facilidade, permite igualmente a tese de que o povo guineense está saturado da instabilidade que este pequeno país lusófono da África Ocidental vive há décadas e prefere outra solução, mesmo que escassamente democrática.
O regresso de Embaló e a sua candidatura presidencial levantam questões sobre o futuro político da Guiné-Bissau. A realização de eleições legislativas e presidenciais está marcada para 6 de dezembro próximo, e a oposição considera que o general Horta Inta-a estaria a preparar-se para facilitar o regresso de Embaló ao poder.
Embaló presidiu à Guiné-Bissau de 27 de fevereiro de 2020 a 26 de novembro de 2025 até ser derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República. Ele apela a que a receção "seja pacífica e fraterna, evitando comportamentos que possam suscitar tensões ou divisões" entre compatriotas e ainda que reforce a responsabilidade cívica e preserve os princípios fundamentais do Estado de direito.
Key points
- Umaro Sissoco Embaló anuncia regresso à Guiné-Bissau e candidatura presidencial.
- A Guiné-Bissau aprovou uma nova Constituição que reforça os poderes do Presidente.
- Eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 6 de dezembro próximo.