Os democratas norte-americanos encerram hoje a campanha para as eleições intercalares de terça-feira, com sondagens favoráveis e uma decisão surpreendente de uma congressista democrata de apoiar o candidato republicano ao Senado no Michigan. A congressista Haley Stevens anunciou no domingo o apoio ao republicano Mike Rogers, que enfrenta Abdul El-Sayed, vencedor das primárias democratas naquele estado.

A decisão de Stevens causou controvérsia, com o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, a reagir com desaprovação, considerando-a uma "traição abjeta". Já o Presidente republicano Donald Trump saudou a decisão da congressista, elogiando a sua "lealdade" e "coragem". Stevens justificou a decisão com divergências sobre a política norte-americana relativamente a Israel.

A eventual eleição de El-Sayed fará dele o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. A controvérsia surge na reta final de uma campanha em que os democratas procuram recuperar o controlo do Congresso, atualmente dominado pelos republicanos. As eleições de terça-feira determinarão a composição do Congresso durante os últimos dois anos do atual mandato presidencial.

No Texas, o democrata James Talarico realiza hoje os últimos comícios da campanha contra o republicano Ken Paxton, enquanto no Kansas Adam Hamilton procura derrotar o senador republicano Roger Marshall. As duas disputas decorrem em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos, mas que os democratas consideram importantes para as suas possibilidades de conquistar a maioria no Senado.

As sondagens apontam para uma vantagem democrata na Câmara de Representantes, onde os 435 lugares estão em disputa. A disputa pelo Senado permanece mais equilibrada, uma vez que apenas cerca de um terço dos seus 100 lugares será renovado. O controlo da Câmara de Representantes permitirá aos democratas influenciar a aprovação do orçamento federal e dirigir comissões parlamentares com poderes de investigação.

Uma maioria democrata no Senado poderá ainda bloquear nomeações presidenciais para cargos judiciais vitalícios, incluindo no Supremo Tribunal. A campanha decorre num contexto de descontentamento com o custo de vida e com a guerra contra o Irão, iniciada há oito meses. Uma sondagem divulgada no domingo pela NBC News indica que 60% dos norte-americanos desaprovam o desempenho de Trump na presidência.

Apesar das sondagens favoráveis, os democratas mantêm uma posição cautelosa, recordando que anteriores estudos de opinião subestimaram a mobilização dos apoiantes do movimento MAGA ("Make America Great Again"), associado ao Presidente republicano. A participação eleitoral antecipada atingiu entretanto um novo máximo, com cerca de 54 milhões de norte-americanos a terem já votado.

Key points

  • Democratas encerram campanha para eleições intercalares com sondagens favoráveis.
  • Congressista democrata apoia candidato republicano ao Senado no Michigan.
  • Eleições de terça-feira determinarão a composição do Congresso durante os últimos dois anos do atual mandato presidencial.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.