Em Nova Iorque, durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, 51 países aliados de Kiev assinaram uma declaração conjunta exigindo um cessar-fogo e a abertura de um corredor marítimo seguro no Mar Negro. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, divulgou o documento, que visa permitir a saída de milhões de toneladas de cereais da Ucrânia, bloqueada pela Rússia. O documento condena a "guerra de agressão" da Rússia contra a Ucrânia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, respondeu que Moscovo está disponível para negociar, mas não para ajudar a rearmar a Ucrânia. Lavrov argumentou que os aliados de Kiev procuram apenas um cessar-fogo para reabastecer os arsenais ucranianos e regressar aos combates. A Rússia não vai parar a sua operação militar para permitir que os aliados de Kiev rearmem a Ucrânia.
O documento foi assinado pelos 27 Estados-membros da União Europeia e outros aliados de Kiev, como Japão, Austrália e Nova Zelândia. O objetivo é permitir a saída de cereais da Ucrânia, que começam a escassear em vários pontos do mundo devido ao bloqueio naval imposto pela Rússia. A declaração conjunta também condena a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.
O Presidente dos EUA, Joe Biden, parece ter voltado a ganhar interesse pelo conflito, pressionando publicamente o Presidente russo, Vladimir Putin, para acabar com o conflito. Biden voltou à ideia de querer juntar esta à lista de guerras que acabou no mundo e convidou Putin para estar em Miami, na reunião do G20.
Apesar do renovado interesse da Casa Branca, Moscovo renovou as suas garantias de que quaisquer negociações que venham a acontecer não levarão à suspensão dos combates antes de estar assinado um acordo definitivo. Lavrov explicou que qualquer paragem no conflito "só serviria para que os aliados de Kiev enviassem mais armas para a Ucrânia".
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem repetido as ameaças a Moscovo, afirmando que irá derrotar a Rússia nos próximos 40 dias se os seus aliados lhe derem as armas de que precisa. A Ucrânia enfrenta evidentes dificuldades devido à chegada do Inverno e aos repetidos ataques russos à infra-estrutura energética do país.
O conflito continua a ser marcado por ataques diários de mísseis e drones russos sobre a Ucrânia, deixando o país exangue e sem capacidade de se defender. Também os drones ucranianos chovem diariamente sobre a profundidade russa, gerando pesadas dificuldades a Moscovo, especialmente no seu estratégico sector energético.
Key points
- 51 países aliados de Kiev exigem cessar-fogo e corredor marítimo seguro no Mar Negro
- Moscovo disponível para negociar, mas não para ajudar a rearmar a Ucrânia
- Conflito continua a ser marcado por ataques diários de mísseis e drones russos sobre a Ucrânia