Uma acampada de protesto pela habitação no Porto manteve-se durante a noite com cerca de 30 pessoas. A PSP informou os manifestantes que teriam de desmontar as tendas, mas poderiam permanecer no local. De acordo com João Henriques, os participantes desmontaram as estruturas, mas permaneceram no local, estendendo edredões e sacos-cama para passar a noite.
A acampada, que se realizou na praça D. João I, no Porto, teve como objetivo criar um espaço comunitário de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e de debate político. Os participantes dizem querer manter o espaço como um local de convívio e discussão sobre o país e o futuro. Durante a noite, algumas pessoas ficaram a assegurar o funcionamento da cozinha e a garantir condições para que os restantes pudessem descansar.
Segundo João Henriques, a noite decorreu sem incidentes, apesar do frio. O grupo que permaneceu no local era mais reduzido durante a manhã, uma vez que alguns participantes foram trabalhar ou para a escola. João Henriques considerou que a acampada tornou-se “um espaço seguro para pessoas que vivem na rua e um local de convívio e discussão sobre o país e o futuro”.
Os participantes continuam a receber donativos, incluindo comida e mantas, e pessoas em situação de sem-abrigo recorrem ao espaço para obter alimentos. Durante a manhã, estavam disponíveis café, chá, bolachas e pão, embora grande parte dos alimentos já tivesse sido distribuída. João Henriques disse que pelo menos três pessoas em situação de sem-abrigo permaneceram acordadas com os participantes durante a noite.
A intenção do grupo é continuar a passar as noites no espaço, procurando assegurar “uma presença regular junto das pessoas que, nas últimas duas semanas, se habituaram ao contacto e ao apoio” ali disponibilizados. Para o dia seguinte, estavam previstos concertos e uma roda de conversa, com atividades a partir das 15:00 ou das 16:00 e até cerca das 22:00 ou 22:30.
A acampada é uma das várias manifestações que têm ocorrido em Portugal devido à crise habitacional. Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
A PSP e a IGAI estão a acompanhar a situação, e a provedora de Justiça pediu à PSP informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes. A RecordTV Cabo Verde e a Lusa têm acompanhado a situação, recolhendo informações e declarações dos participantes e das autoridades envolvidas.
Key points
- A acampada no Porto manteve-se durante a noite com cerca de 30 pessoas.
- Os participantes desmontaram as tendas, mas permaneceram no local.
- A acampada visa criar um espaço comunitário de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo e de debate político.