A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) está a promover a realização de rastreios cardiovasculares em farmácias, com o objetivo de "democratizar" o acesso a este tipo de exames e reduzir as 30 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares em Portugal. A presidente da SPC, Cristina Gavina, defende que as farmácias podem ser um local ideal para realizar estes rastreios, uma vez que podem fornecer informações cruciais para que os pacientes tomem conta da sua saúde.
As doenças cardiovasculares, como o enfarte e o acidente vascular cerebral (AVC), são a principal causa de mortalidade em Portugal, responsáveis por uma morte a cada 15 minutos. Cristina Gavina destaca a necessidade de "democratizar o acesso" dos portugueses ao rastreio cardiovascular, generalizando-o à semelhança do que já acontece com a despistagem de outras doenças. A SPC defende que as farmácias devem ser mais do que simples locais para vender medicação ou cosméticos.
A SPC está a promover uma campanha de rastreios gratuitos em farmácias, com o envolvimento de mais de 160 farmácias que aderiram à campanha "Coração Aceso". Quem aderir a estes rastreios pode ficar a conhecer o seu risco cardiovascular, que pode ser baixo, intermédio, alto ou muito alto, e receber um cartão com essa informação. Os rastreios são realizados a partir dos 35 anos de idade e devem ser repetidos a cada cinco anos.
Cristina Gavina destaca que a generalização do rastreio de doenças cardiovasculares deve ser integrado num Plano Nacional de Saúde Cardiovascular, com o contributo das sociedades científicas desta área e que aposte na prevenção. A presidente da SPC defende que 80% da mortalidade prematura por doenças cardiovasculares pode ser prevenida através do controlo dos fatores de risco.
A SPC está preocupada com o facto de cerca de metade dos hipertensos estarem ainda por diagnosticar, sendo este o principal fator de risco para o AVC. Além disso, o número de diabéticos "tem vindo a crescer de forma vertiginosa". Cristina Gavina alerta para a possibilidade de, nos próximos anos, se registar um aumento da mortalidade prematura.
As preocupações da SPC no sentido de Portugal passar a dispor de um Programa Nacional de Saúde Cardiovascular já foram transmitidas aos partidos na Assembleia da República e a Adalberto Campos Fernandes, que está a coordenar o Pacto para a Saúde proposto pelo Presidente da República. Em 2023, registaram-se mais de 100 mil internamentos por doenças cardiovasculares em hospitais públicos.
A campanha de rastreios gratuitos da SPC, denominada "Coração Aceso", decorre de 29 de setembro a 04 de outubro, com o objetivo de consciencializar a população para a importância da prevenção das doenças cardiovasculares. A SPC espera que a população adote uma atitude responsável em relação à sua saúde e que os rastreios se tornem uma prática regular.
Key points
- A Sociedade Portuguesa de Cardiologia defende a realização de rastreios cardiovasculares em farmácias para reduzir as 30 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares em Portugal.
- A SPC está a promover uma campanha de rastreios gratuitos em farmácias, com o envolvimento de mais de 160 farmácias.
- A presidente da SPC, Cristina Gavina, defende que 80% da mortalidade prematura por doenças cardiovasculares pode ser prevenida através do controlo dos fatores de risco.