O sistema financeiro nacional de Cabo Verde manteve-se sólido em 2025, com os bancos a reforçarem a sua capacidade para enfrentar dificuldades e a registarem uma forte redução dos créditos que deixaram de ser pagos. De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira 2025, divulgado pelo Banco de Cabo Verde, os bancos passaram a dispor de uma margem maior para fazer face a eventuais perdas, com o rácio de solvabilidade a aumentar de 23,9% para 25,2%.
A situação dos créditos que não estão a ser pagos pelos clientes melhorou significativamente em 2025, com o crédito em incumprimento a diminuir 32,4% e o seu peso no total do crédito a passar de 7,9% para 5,2%. O Banco de Cabo Verde salienta que os bancos mantiveram níveis elevados de capital e de liquidez e que a sua rendibilidade continuou favorável. A melhoria da qualidade dos créditos é apontada como um dos principais desenvolvimentos positivos registados em 2025.
A economia cabo-verdiana cresceu 6,3% em 2025, embora a um ritmo inferior ao registado em 2024. O crescimento foi acompanhado por uma melhoria das contas públicas e externas e pelo aumento das reservas internacionais. Segundo o Banco de Cabo Verde, o bom desempenho da economia ajudou a reduzir os riscos para a estabilidade financeira. No entanto, este cenário ocorreu num contexto de aumento da inflação e de elevada incerteza internacional.
O Banco de Cabo Verde alerta para os possíveis efeitos do abrandamento da economia mundial, das tensões geopolíticas e de uma eventual subida dos preços das matérias-primas, dos alimentos e dos produtos energéticos. A curto e médio prazo, estes fatores poderão repercutir-se sobre a atividade económica nacional e sobre a situação financeira das famílias e empresas. As famílias cabo-verdianas estão mais endividadas, com o aumento do emprego formal a ser acompanhado por um aumento do recurso ao crédito bancário.
As empresas não financeiras apresentaram uma situação diferente, com o volume de negócios a aumentar e o recurso ao crédito bancário a diminuir. Em contrapartida, as empresas aumentaram o recurso ao financiamento através do mercado obrigacionista. No entanto, o Banco de Cabo Verde alerta que continuam a existir fragilidades no sistema bancário, incluindo a elevada concentração nos mercados de crédito e de depósitos e a exposição significativa aos sectores imobiliário e público.
O Banco de Cabo Verde identifica também os riscos cibernéticos e climáticos como duas áreas que exigem atenção. A utilização cada vez maior de tecnologias nos serviços financeiros aumenta a dependência dos bancos e de outras instituições de sistemas tecnológicos. Além disso, Cabo Verde continua particularmente exposto aos efeitos de fenómenos climáticos extremos, que podem afetar a atividade económica, os rendimentos e os bens das famílias e empresas.
Em outros sectores financeiros, os riscos para a estabilidade financeira permaneceram contidos. No sector segurador, os níveis de cobertura das provisões técnicas e de solvência mantiveram-se elevados. O recurso ao resseguro também contribuiu para aumentar a capacidade das seguradoras para absorver eventuais perdas. O mercado de capitais também apresentou uma evolução favorável, com as empresas a aumentarem significativamente as emissões de obrigações.
Key points
- O sistema financeiro de Cabo Verde manteve-se sólido em 2025, com os bancos a reforçarem a sua capacidade para enfrentar dificuldades.
- O Banco de Cabo Verde alerta para riscos ligados à concentração do mercado e exposição ao setor imobiliário e público.
- A economia cabo-verdiana cresceu 6,3% em 2025, embora a um ritmo inferior ao registado em 2024.