O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou na terça-feira, 22 de Setembro de 2026, para uma "convergência de ameaças sem precedentes" no mundo. Em seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Guterres afirmou que os mecanismos coletivos estão sob crescente pressão, com novos centros de influência e uma crescente transferência de poder para empresas e particulares. Ele também destacou que as fraturas no mundo atual estão a alargar-se e as "fissuras tornaram-se abismos".

Guterres recordou que, na última década, guerras irromperam com consequências devastadoras e arrastaram-se com uma "crueldade desprezível". Ele citou exemplos de civis tornarem-se alvos, direitos humanos serem "pisoteados", fome ser usada como arma e trabalhadores humanitários acabarem mortos. O líder da ONU também destacou que o direito internacional foi descartado, as divisões geopolíticas aprofundaram-se e as desigualdades intensificaram-se.

O secretário-geral da ONU apontou críticas à forma como o poder está a ser remodelado, com novos centros de influência económica, política e tecnológica emergindo entre Estados. Ele também destacou a extraordinária transferência de poder dos Governos para um pequeno grupo de empresas privadas e particulares. Guterres afirmou que o alcance destes empresários estende-se agora pela política, economia, fluxos de informação, desenvolvimento tecnológico e o espaço cívico de que as sociedades dependem.

Guterres alertou para os perigos da inteligência artificial (IA) sem responsabilidade, da capacidade sem supervisão e da tomada de decisões sem transparência. Ele sublinhou que os executivos com maiores capacidades nesta área têm uma responsabilidade acrescida perante a humanidade. O líder da ONU também destacou que os humanos estão cada vez mais a entregar poder às máquinas, "com agentes de inteligência artificial descontrolados" e "armas autónomas letais que passaram da ficção científica para a realidade militar".

O antigo primeiro-ministro português apelou a que os países não terão de começar do zero, uma vez que têm a Carta das Nações Unidas como uma base sólida. Ele sugeriu que decisões de vida ou morte não podem ser entregues à IA e que esta tecnologia seja governada antes que passe a governar a Humanidade. Guterres também sublinhou que os Governos com as maiores capacidades em IA têm as maiores responsabilidades para com a humanidade.

Guterres defendeu a coordenação global como indispensável para lidar com os riscos da IA. Ele frisou que só há um lugar onde cada país tem voz na construção do futuro comum: As Nações Unidas. O secretário-geral da ONU pediu que se avance na promoção de salvaguardas adicionais para lidar com os riscos da IA e na criação de uma "Estrutura Multilateral de Gestão de Riscos de IA", apoiada por uma supervisão fiável e independente.

O líder da ONU concluiu que a inteligência artificial deve ser moldada pela humanidade, com a humanidade e para toda a humanidade. Ele sublinhou que as crianças nunca se devem tornar cobaias para sistemas não regulamentados e que os países devem comprometer-se a nunca entregar as decisões de vida ou de morte às máquinas. Guterres também alertou para os perigos dos "robôs assassinos" e sublinhou a necessidade de estabelecer mecanismos de supervisão para a IA.

Key points

  • António Guterres alerta para a convergência de ameaças sem precedentes no mundo.
  • O secretário-geral da ONU defende a coordenação global para lidar com os riscos da IA.
  • Guterres apela a que decisões de vida ou morte não sejam entregues à inteligência artificial.

Share this story

Written by

SaharaWire Newsroom
SaharaWire

Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.