O artigo de opinião publicado no Téla Nón, intitulado "Vamos parar de levar a vida no «leve-leve» em São Tomé e Príncipe", reflete sobre a cultura do "leve-leve" no país. A expressão, que ganhou popularidade através do poema e da música, é vista como uma forma de viver tranquilamente, sem pressão, e de encontrar beleza nas pequenas coisas. No entanto, o autor argumenta que essa cultura pode se tornar um obstáculo quando deixa de ser uma escolha e passa a justificar a falta de ação.
O autor destaca a importância de respeitar o ritmo da vida, mas também enfatiza a necessidade de estabelecer uma distinção entre esperar pela oportunidade certa e adiar indefinidamente. Ele cita o exemplo dos pescadores, que esperam pelas ondas certas para lançar suas canoas ao mar, mas também nota que, em alguns contextos, a cultura do adiamento pode se manifestar no funcionamento de instituições, como escolas, mercados e repartições públicas.
O artigo também aborda a questão da responsabilidade coletiva e como os hábitos sociais podem mudar quando as pessoas, instituições e lideranças decidem estabelecer outras expectativas e valorizar o cumprimento dos compromissos. O autor destaca a importância de preservar a identidade cultural do país, mas também de construir uma cultura de responsabilidade, eficiência e realização.
O sociólogo Pierre Bourdieu é citado no artigo, que desenvolveu o conceito de habitus para explicar como as disposições e formas de agir são construídas através da experiência social. O autor argumenta que, se crescermos em um ambiente em que os atrasos são tolerados e os prazos são negociáveis, poderemos acabar por reproduzir esses comportamentos sem questioná-los.
As reflexões de Max Weber sobre a organização do trabalho, a disciplina e os valores sociais também são mencionadas no artigo. O autor destaca que o desenvolvimento das sociedades não depende apenas dos recursos disponíveis, mas também das práticas, instituições e expectativas que orientam a vida coletiva.
O artigo conclui que o verdadeiro desafio não é acabar com o "leve-leve", mas impedir que ele se transforme em uma desculpa coletiva para a inação. O autor destaca que é possível preservar a hospitalidade, serenidade e proximidade humana que são valorizadas em São Tomé e Príncipe, ao mesmo tempo em que se constrói uma cultura de responsabilidade e eficiência.
Finalmente, o autor menciona o livro "A Física do Futuro" de Michio Kaku, que explora as possibilidades de avanços científicos e tecnológicos que poderão transformar a sociedade nos próximos cem anos. Ele se pergunta como São Tomé e Príncipe se encaixará nesse futuro e destaca a importância de refletir sobre o tipo de sociedade que se deseja construir.
Key points
- A cultura do "leve-leve" em São Tomé e Príncipe pode ser uma forma de viver tranquilamente, mas também pode se tornar um obstáculo quando deixa de ser uma escolha e passa a justificar a falta de ação.