O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) anunciou que cerca de 230.000 pessoas deslocadas no Iémen e outras 10.000 refugiadas no Djibuti deverão necessitar de assistência humanitária nos próximos meses. Esta previsão foi feita pelo porta-voz do ACNUR durante uma conferência de imprensa em Genebra. A ONU havia indicado anteriormente que mais de 130.000 pessoas foram deslocadas no Iémen e cerca de 3.000 fugiram para o Djibuti devido à retoma dos combates no início de setembro.
A retoma dos combates no Iémen entre a AnsarAllah (Houthis) e as forças pró-governamentais provocou um aumento significativo no número de deslocados e refugiados. A AnsarAllah assumiu o controlo do litoral do mar Vermelho, reforçando o seu domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb. No entanto, os combates das últimas semanas provocaram centenas de mortos e muitos deslocados no interior do Iémen.
As equipas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) recensearam mais de 112.000 pessoas deslocadas no interior do país. O chefe da missão da OIM no Iémen, Abdusattor Esoev, afirmou que a maioria foi deslocada nas últimas duas semanas, principalmente ao longo da costa ocidental e nas províncias de Taiz e Lahj. O número de deslocados pode aumentar, de acordo com a OIM.
Cerca de 3.000 pessoas já chegaram ao Djibuti em menos de uma semana, após terem efetuado a perigosa travessia marítima do estreito. A representante local do ACNUR, Sandrine Desamours, relatou que estas chegadas de refugiados iemenitas aumentam a pressão sobre um dispositivo de resposta já sujeito a fortes exigências. O Djibuti acolhe já 36.000 refugiados, principalmente provenientes da Somália e da Etiópia.
A situação humanitária no Djibuti é preocupante, especialmente considerando a proporção de refugiados face à população do país. Sandrine Desamours argumentou que, embora o número de refugiados possa parecer modesto, é necessário ter em conta a proporção que representa face à população de cerca de um milhão de djibutianos.
As autoridades da Somalilândia e do Estado somaliano do Puntland também assinalaram um aumento das chegadas provenientes do Iémen, incluindo tanto refugiados iemenitas como somalis que regressam ao seu país. No entanto, estes fluxos contam-se às centenas. A situação no Iémen e no Djibuti continua a ser monitorizada pelas autoridades e organizações humanitárias.
O conflito no Iémen tem uma longa história, com uma guerra a opor as forças da AnsarAllah às forças pró-governamentais, apoiadas por Riade, entre 2014 e 2022. A crise humanitária no país é grave, e a situação continua a ser preocupante. A comunidade internacional continua a acompanhar a situação e a prestar assistência humanitária às pessoas afetadas.
Key points
- A ONU prevê 230.000 deslocados no Iémen e mais de 10.000 refugiados no Djibuti nos próximos meses.
- A retoma dos combates no Iémen provocou um aumento significativo no número de deslocados e refugiados.
- A situação humanitária no Djibuti é preocupante, especialmente considerando a proporção de refugiados face à população do país.