O ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente, reiterou que uma falha no centro de controlo dos comboios de alta velocidade parece ter causado o acidente que ocorreu na quarta-feira em Urda, Toledo, e que resultou na morte de pelo menos 69 pessoas. Ele recusou demitir-se, apesar dos pedidos da oposição.
De acordo com o governo espanhol e gravações das comunicações com o centro de controlo, o maquinista de um dos comboios recebeu indicações erradas de um operador, que não respeitavam os protocolos estabelecidos para a situação em que se encontrava, acabando por colidir a mais de 180 quilómetros por hora noutra composição que estava parada na mesma linha.
O centro de controlo estava a operar no momento do acidente em circunstâncias de “absoluta normalidade” e com 16 controladores na sala, disse Oscar Puente, numa conferência de imprensa em Madrid. Ele realçou que nas salas de controlo há “ecrãs e diversos sistemas” que permitem localizar os comboios que estão nas vias e todos “esses sistemas funcionaram”.
A falha do sistema de controlo automático da circulação, conhecido como LZB, faz parar os comboios automaticamente e a circulação passa a ser coordenada por um centro de controlo. O centro de controlo deu instruções aos comboios para avançar com “marcha normal”, ou seja, a alta velocidade, seguindo o protocolo errado para esta situação.
Segundo o ministro, a queda ou falha do sistema ferroviário LZB é relativamente frequente e habitual e só em 2026 já aconteceu 170 vezes, um número que garantiu estar “dentro da normalidade europeia” e “muito estável nos últimos seis ou sete anos”. Ele também destacou que o quadro de pessoal “dedicado ao controlo” cresceu 60% desde 2018.
Oscar Puente disse ainda que o tempo de dois anos de formação e experiência mínimas para uma pessoa ser operadora no centro de controlo está “regulada pela lei” e segue procedimentos auditados pela agência ferroviária europeia. Ele também esclareceu que o operador em concreto que comunicou com os maquinistas dos comboios do acidente tem 48 anos e vários anos de experiência em centros de controlo.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reconheceu que há uma “quebra de confiança” na rede ferroviária espanhola de alta velocidade, a segunda maior do mundo, e que não são aceitáveis dois acidentes desta magnitude em menos de um ano. O líder da oposição e do Partido Popular (PP, direita) considerou que têm de ser assumidas responsabilidades políticas.
Key points
- O ministro dos Transportes de Espanha recusou demitir-se após o acidente ferroviário que matou 69 pessoas.
- A falha no centro de controlo dos comboios de alta velocidade parece ter causado o acidente.
- O governo espanhol investiga as causas do acidente e avalia as responsabilidades.