Luanda registou um total de 3.668 casos de mordeduras de animais desde o início do ano, com o pico mais acentuado de 653 casos em Março. O Gabinete Provincial de Saúde anunciou estes dados, revelando que as crianças são as principais vítimas. A coordenadora provincial do Programa Alargado de Vacinação (PAV) de Luanda, Felismina Neto, assegura que o País não regista, neste momento, ruptura de stock de vacinas antirrábicas, nem contra o tétano.
A raiva é uma doença zoonótica com uma taxa de letalidade quase sempre fatal e que constitui um dos principais problemas de saúde pública em solo nacional. A transmissão do vírus dos animais para as pessoas ocorre normalmente através de mordeduras, arranhões ou lambidelas em feridas abertas. As vítimas de mordeduras devem dirigir-se com urgência a uma unidade sanitária para receberem o tratamento adequado.
Segundo a responsável, os pacientes mais acometidos são os meninos na faixa etária dos 5 aos 15 anos. Felismina Neto lamentou que é inconcebível que as pessoas morram por não receberem o tratamento adequado, quando o Governo faz um esforço grande em comprar a vacina no exterior e alocá-la no País. Ela sublinhou que os primeiros cuidados incluem a lavagem da ferida com bastante água e sabão para a remoção dos possíveis vírus existentes na saliva do animal.
Caso o animal seja conhecido, a pessoa inicia o tratamento pós-exposição, enquanto o animal fica em monitorização até 10 dias. Esse esquema prevê três doses da vacina e, se até ao décimo dia o animal continuar vivo, o tratamento é suspenso. A chefe do Serviço de Neuroinfecciologia do Hospital Pediátrico David Bernardino, Maria de Souza, explicou que o vírus penetra nas células e, através dos nervos periféricos, pode chegar até ao sistema nervoso central.
A especialista referiu ainda que as crianças podem apresentar febre, dor de cabeça, mal-estar geral e, com a evolução da doença, alterações a nível da consciência. O tratamento é fundamental para evitar a morte. A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta a eliminação das mortes humanas por raiva transmitida por cão até 2030.
Anualmente, a 28 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Raiva. Esta data serve para consciencializar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento da doença. Em Angola, a raiva é um problema de saúde pública que requer atenção especial.
O Gabinete Provincial de Saúde de Luanda apela à população para que tome medidas de prevenção, como a vacinação de animais e a evitar o contacto com animais desconhecidos. A colaboração da população é fundamental para controlar a propagação da doença e evitar mortes.
Key points
- As crianças são as principais vítimas de mordeduras de animais em Luanda.
- A raiva é uma doença zoonótica com uma taxa de letalidade quase sempre fatal.
- A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta a eliminação das mortes humanas por raiva transmitida por cão até 2030.