O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, lamentou que a maioria dos 1.466.060 angolanos com 65 ou mais anos, cerca de 4% da população nacional, viva abandonada à sua sorte. Em uma comunicação dirigida ao país, no âmbito do Dia Mundial do Idoso, assinalado na quinta-feira, 01, o líder do principal partido da oposição criticou a falta de políticas públicas estruturantes e redes de apoio comunitário para dignificar os idosos.

De acordo com Adalberto Costa Júnior, o país continua a responder a esta realidade demográfica com apenas 18 lares de acolhimento distribuídos por 11 províncias, assistindo apenas 852 idosos. Ele destacou que muitos idosos angolanos não têm rede de apoio, e que a idade reduziu-lhes a capacidade de trabalho e padecem de enfermidades crónicas. Muitos são abandonados à sua sorte, tratados como um fardo social descartável.

O líder da UNITA citou o caso de Luanda, a capital, que tem apenas o Beiral, fundado em 1953, no tempo colonial, com cerca de 146 residentes, como principal referência de acolhimento no país. Ele notou que setenta anos depois, o país ainda não tem uma rede nacional de apoio ao idoso. A situação é ainda mais dramática, com cerca de treze milhões de trabalhadores exercendo atividades informais em Angola.

Adalberto Costa Júnior também citou dados do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), que mostram que apenas 3.143.048 trabalhadores estão inscritos neste órgão, o que significa que 8 em cada 10 trabalhadores vivem sem contrato, sem proteção social, sem reforma, sem segurança para o amanhã. Ele defendeu a criação de um centro por município até 2032, com capacidade mínima de 50 camas, serviços médicos, fisioterapia e apoio psicológico.

O partido do "Galo Negro" defende ainda a revisão do sistema de pensões, com indexação automática à inflação e alargamento da cobertura mínima a todos os idosos com 65 ou mais anos, independentemente do histórico contributivo. Eles também defendem o combate ao abandono e à acusação de feitiçaria, campanhas nacionais de sensibilização, articulação com as igrejas e autoridades tradicionais, e responsabilização legal das famílias que abandonam os seus idosos.

O Dia Internacional do Idoso, celebrado anualmente a 01 de Outubro, foi instituído em 1990 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e assinalou-se pela primeira vez em 1991. O objetivo é sensibilizar a sociedade global para as oportunidades, direitos e desafios associados ao envelhecimento demográfico e conhecer e valorizar o papel central e a sabedoria que as pessoas idosas representam nas famílias e comunidades.

Adalberto Costa Júnior concluiu que sem contribuição, não há reforma, e que a velhice transforma-se em miséria. Ele enfatizou a necessidade de uma abordagem mais ampla e eficaz para lidar com o problema do abandono de idosos em Angola, envolvendo não apenas o governo, mas também a sociedade civil e as famílias.

Key points

  • O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, critica o abandono de mais de um milhão de idosos em Angola.
  • O país tem apenas 18 lares de acolhimento para idosos, assistindo apenas 852 pessoas.
  • A UNITA defende a criação de centros de apoio ao idoso em todos os municípios até 2032.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.