A World Wide Fund for Nature (WWF) divulgou recentemente o Living Planet Report 2026, que revela um declínio alarmante da biodiversidade em África. O Índice para a África regista um declínio médio de 80%, com uma margem de variação estatística que oscila entre os -57% e os -91%. Isso se traduz numa perda sistemática de 3,1% ao ano da riqueza biológica do continente.

De acordo com os dados de monitorização ambiental da WWF, as espécies mais severamente afectadas pelo desaparecimento e contaminação dos habitats são os peixes de água doce. A escassez de dados científicos sobre os sistemas fluviais na região expõe uma necessidade urgente de expansão da investigação, sob o risco de um colapso biológico invisível. A poluição e a negligência de políticas públicas ou de civismo empurram para as margens da actualidade.

Em contraste com o cenário de declínio global, o Sul de África surge como um laboratório de sucesso. Em várias geografias da sub-região da África Austral, as populações de elefantes não só estabilizaram como estão em franco crescimento demográfico. A WWF atribui esse sucesso à governação, com a construção de quadros jurídicos inovadores que conferem às comunidades locais uma participação directa e financeira na gestão da fauna selvagem.

Os países da África Austral conseguiram construir modelos de Gestão Comunitária de Recursos Naturais, que devolvem direitos e responsabilidades legais sobre a vida selvagem às populações que coabitam com os animais. Isso garante que as comunidades beneficiem dos rendimentos gerados pelo usufruto sustentável dos recursos, transformando o antigo conflito territorial numa parceria económica.

O sucesso reportado pela WWF baseia-se igualmente numa actuação concertada que envolve o combate directo ao tráfico de marfim, reformas profundas nos sistemas judiciais e uma redução sistemática dos índices de corrupção nas autoridades fiscais e aduaneiras. No entanto, a eficácia deste modelo começou a produzir os seus próprios desafios operacionais, como a elevada densidade e a sobrepopulação de elefantes em certas reservas.

Em Angola, ambientalistas locais e associações de defesa do ambiente têm alertado para o impacto destrutivo da pesca predatória não regulamentada, da desflorestação ao longo das principais bacias hidrográficas e da poluição provocada por actividades extractivas. Além disso, há rios estrategicamente vitais para a conectividade biológica regional que estão sob forte pressão humana, ameaçando espécies endémicas de peixes e anfíbios.

O Ministério do Ambiente (MINAMB) de Angola reconhece as lacunas na monitorização sistemática da fauna fluvial e tem realçado a necessidade de catalogar os recursos hídricos e biológicos do País. No entanto, o grande desafio do MINAMB reside na escassez de dotação orçamental e de recursos humanos qualificados para cobrir a vasta rede hidrográfica angolana, tornando imperativa a colaboração com universidades e centros de investigação internacionais.

Key points

  • O declínio da biodiversidade em África atinge 80%, com uma perda de 3,1% ao ano da riqueza biológica.
  • O Sul de África é um exemplo de sucesso na conservação da biodiversidade, graças à governação e à participação das comunidades locais.
  • Angola enfrenta desafios significativos na conservação da sua biodiversidade, incluindo a pesca predatória e a poluição.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.