Familiares de presos políticos no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, após o 25 de Abril de 1974, pediram reconhecimento à UNESCO e autoridades cabo-verdianas. Eles solicitaram que a memória desses eventos seja incluída no Museu da Resistência. A carta, subscrita por 73 familiares de 15 dos 58 presos, destaca a importância de reconhecer a utilização do Campo do Tarrafal entre dezembro de 1974 e julho de 1975.

O Campo do Tarrafal foi um local de detenção durante o regime colonial português e posteriormente durante a transição para a independência de Cabo Verde. Dezenas de cidadãos cabo-verdianos foram detidos sem condenação judicial ou acusação formal. Os presos incluíam intelectuais, agricultores e pessoas de diferentes zonas de Cabo Verde que discordavam do processo político em curso.

Vera Mendes, filha de um dos presos políticos, é uma das promotoras da iniciativa. Ela relatou que seu pai, Rufino José Silva, foi libertado dias após a independência de Cabo Verde. A família foi deportada para Portugal sem recursos, e Vera nasceu em Lisboa em 1979. Ela busca reconhecimento para que a história seja contada de forma integral.

A carta enviada à UNESCO, ao primeiro-ministro e ao Presidente de Cabo Verde solicita o reconhecimento da utilização do Campo do Tarrafal, a integração no discurso museológico e científico, a inclusão da memória e testemunhos dos presos, e a garantia de que qualquer apoio internacional observe os princípios da verdade histórica e da memória inclusiva.

O processo de candidatura do Campo do Tarrafal a património mundial está em curso junto da UNESCO. Vera Mendes conversou com técnicos do Instituto do Património Cultural de Cabo Verde e está otimista quanto ao reconhecimento. A Lusa tentou obter esclarecimentos do Instituto, mas ainda não obteve respostas.

O objetivo é que as futuras gerações possam visitar o Tarrafal e ver a história de seus ancestrais. Vera Mendes enfatizou que a história da democracia e da independência de Cabo Verde está incompleta e precisa ser corrigida. A omissão do período de 1974-1975 na portaria que aprovou o documento fundador do museu motivou a iniciativa.

A história do Campo do Tarrafal é complexa e envolve diferentes fases. A primeira fase foi marcada pela repressão colonial, e a segunda fase foi relacionada à resistência antifascista. A terceira fase, que ocorreu durante a transição para a independência, ainda não foi devidamente reconhecida.

Key points

  • Familiares de presos políticos buscam reconhecimento à UNESCO e autoridades cabo-verdianas.
  • O Campo do Tarrafal foi um local de detenção durante o regime colonial português e posteriormente durante a transição para a independência de Cabo Verde.
  • A história da democracia e da independência de Cabo Verde está incompleta e precisa ser corrigida.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.