No Dia Mundial da Contracepção, uma especialista em saúde reprodutiva em Angola destaca a importância do planeamento familiar. A representante assistente do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) em Angola, Marina Coelho, enfatiza que métodos contraceptivos modernos, como a pílula, injecção, implante e dispositivo intrauterino (DIU), não afetam a fertilidade feminina a longo prazo.
Muitos angolanos ainda acreditam que o uso de contraceptivos pode impedir futuras gestações. Esse mito pode levar mulheres a não utilizar métodos contraceptivos, aumentando os riscos para a saúde materna e infantil. Em Angola, cerca de 170 mulheres morrem por cada 100 mil nados-vivos durante a gravidez, parto ou nas semanas seguintes. A ciência comprova que a fertilidade feminina volta rapidamente após a interrupção do uso de contraceptivos.
A pílula, implante e DIU não afetam a capacidade de engravidar após a interrupção do uso. A injecção, conhecida como "pica", também não tem efeito permanente na fertilidade. Apenas procedimentos como laqueação e vasectomia são definitivos e indicados para quem não deseja mais filhos. A especialista ressalta a importância de desmistificar essas crenças.
Apesar dos avanços, o acesso a métodos contraceptivos ainda é limitado em Angola, especialmente nas zonas rurais. Apenas 8 em cada 100 mulheres em união nas zonas rurais usam contraceptivos, enquanto nas zonas urbanas o número é de 23 em cada 100. Reduzir essa diferença exige stocks regulares e enfermeiros preparados para explicar os métodos.
Os dados mostram que é possível avançar. Entre 2015-2016 e 2023-2024, a fecundidade das adolescentes dos 15 aos 19 anos baixou de 163 para 122 nascimentos por cada 1000 raparigas. O número médio de filhos por mulher desceu de 6,2 para 4,8. Esse avanço está alinhado com as prioridades do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027.
O Ministério da Saúde, com o apoio do UNFPA, estimou as necessidades de contraceptivos modernos para 2026 e projetou as de 2027 e 2028. Esse exercício permite planear a compra de pílulas, injectáveis, implantes e preservativos, evitando rupturas de stock. A iniciativa visa levar mais métodos às unidades de saúde de todo o país.
Marina Coelho destaca que o contraceptivo não tira à mulher a possibilidade de ser mãe, mas dá-lhe autonomia para escolher o momento certo. Cada mulher deve poder decidir sim, não ou ainda não. Em caso de dúvida, a recomendação é procurar o centro de saúde mais próximo para obter informação correta e protegida contra boatos.
Key points
- A pílula, injecção, implante e DIU não afetam a fertilidade feminina a longo prazo.
- Apenas 8 em cada 100 mulheres em união nas zonas rurais usam contraceptivos em Angola.
- O Ministério da Saúde e o UNFPA trabalham juntos para garantir o acesso a métodos contraceptivos em todo o país.