A descarbonização da construção em Moçambique exige uma nova abordagem aos materiais, processos e ciclo de vida dos edifícios. Especialistas defenderam que a indústria já dispõe de soluções para reduzir emissões, mas alertaram para a falta de dados nacionais, metodologias harmonizadas e incentivos económicos capazes de acelerar a sua adoção. A construção enfrenta uma nova etapa na transição energética, com o foco alargando-se ao carbono incorporado nos materiais e processos construtivos.
A indústria da construção em Moçambique precisa de uma nova abordagem para medir o carbono incorporado nos materiais e processos construtivos. O conceito de Potencial de Aquecimento Global (PAG) é aplicado a todo o ciclo de vida do edifício, considerando as emissões associadas à produção dos materiais, transporte, construção, utilização e manutenção. A metodologia é determinante para orientar decisões de projeto, investimento e construção.
A evolução regulamentar europeia vai acelerar a mudança para uma construção mais sustentável. A Diretiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) estabelece a introdução progressiva da avaliação do PAG dos edifícios novos. A partir de 2028, a obrigação de reporte abrangerá os edifícios novos com mais de 1.000 m². A implementação dependerá da definição de metodologias nacionais compatíveis com o enquadramento europeu.
A indústria já tem soluções para reduzir o impacto ambiental dos edifícios, mas precisa de escala. Soluções de alumínio com menor pegada de carbono e ferramentas digitais podem contribuir para a redução do impacto dos edifícios. As declarações ambientais de produto (DAP) permitem conhecer o impacto ambiental de materiais e componentes.
A Saint-Gobain estabeleceu como objetivo reduzir em 80% as suas emissões até 2050, face a 2017. A empresa apresentou exemplos de soluções que procuram reduzir o impacto dos materiais e dos processos de construção. A utilização de vidro reciclado permite reduzir as temperaturas necessárias no processo de produção.
O desafio para a indústria da construção em Moçambique é fazer mais com menos, conciliando desempenho, eficiência de recursos e competitividade. A falta de dados comparáveis condiciona a avaliação do impacto ambiental dos edifícios. A indústria precisa de trabalhar com indicadores que permitam comparar soluções e avaliar o impacto das decisões tomadas.
A descarbonização da construção em Moçambique exige uma abordagem integrada e sustentável. A indústria precisa de inovar e investir em soluções que reduzam o impacto ambiental dos edifícios. A definição de metodologias nacionais e a implementação de incentivos económicos são fundamentais para acelerar a adoção de práticas mais sustentáveis.
Key points
- A indústria da construção em Moçambique precisa de uma nova abordagem para medir o carbono incorporado nos materiais e processos construtivos.