A fiscalista Carla Castelo Trindade negou qualquer irregularidade no contrato de consultoria que celebrou com a Administração Geral Tributária (AGT) em 2026. O contrato foi obtido através do concurso público n.º 19/UCP/GAF/AGT/2026. Trindade distinguiu este contrato do contrato de comunicação entre a AGT e a Kianda, uma empresa que não tem qualquer ligação com ela.
Segundo Trindade, as alegações de branqueamento de capitais têm origem numa disputa societária na Kianda. A disputa começou quando os sócios portugueses do grupo recusaram pagar 250 milhões de kwanzas pela quota do sócio angolano Salvador Pascoal, também conhecido como Caló Pascoal. Os sócios portugueses propuseram, em alternativa, transmitir gratuitamente a sua própria participação de 70% na Kianda.
Trindade afirmou que os denunciantes, incluindo Caló Pascoal, promoveram iniciativas de pressão junto de entidades públicas, responsáveis políticos, tribunais, bancos e da AGT, culminando em comunicações que associavam o não pagamento dos valores exigidos ao recurso à comunicação social. Ela negou qualquer actuação ilícita e afirmou que está a ser alvo de sucessivas pressões, ameaças ao seu bom nome e tentativas de me constranger ao pagamento de quantias que entende não serem devidas.
A fiscalista disse que nunca foi chamada, ouvida, constituída arguida ou notificada pelo Serviço de Investigação Criminal ou por qualquer outro órgão de investigação criminal a propósito da alegada participação. Ela também afirmou que nunca teve acesso ao teor integral da participação identificada como Processo n.º 2416/024-B.
Trindade apresentou um enquadramento completo e próximo dos factos, distinguindo claramente duas relações contratuais distintas: o contrato celebrado com ela e o contrato de comunicação celebrado entre a AGT e a Kianda. Ela afirmou que o conflito societário da Kianda não tem qualquer relação com a formação, a adjudicação ou a execução do seu contrato com a AGT.
A fiscalista reafirmou que o seu contrato com a AGT foi celebrado em função das suas qualificações, experiência e percurso profissional, e que o contrato de comunicação celebrado entre a AGT e a Kianda foi celebrado com uma sociedade comercial da qual nem ela nem o seu marido são sócios.
Trindade está disponível para conversar pessoalmente com o jornalista, por videoconferência ou por telefone, caso entenda que essa conversa pode contribuir para o esclarecimento dos factos e para a correcta compreensão do respectivo contexto.
Key points
- Carla Castelo Trindade nega irregularidades em contrato com AGT
- Disputa societária na Kianda pode estar na origem das alegações de branqueamento de capitais
- Trindade disponível para conversar com jornalista para esclarecer factos