A China tem sido um parceiro estratégico importante para Angola desde o fim da guerra civil em 2002. Com um investimento de mais de 45 mil milhões de dólares em infra-estruturas, a China ajudou a reconstruir pontes, estradas e hospitais no país. Essa parceria permitiu que Angola obtivesse o oxigénio financeiro necessário para se recuperar de décadas de guerra e instabilidade. A China, por sua vez, garantiu o fornecimento estável de petróleo para alimentar o seu crescimento industrial.
A influência da China em Angola remonta a décadas atrás, quando o país asiático começou a investir em África. Em 1970, a China construiu a linha de Tazara, uma ferrovia que liga a Zâmbia à Tanzânia. Esse investimento foi um exemplo da solidariedade ideológica da China com os países africanos e pavimentou o caminho para futuras parcerias. A China também investiu na reconstrução do Caminho de Ferro de Benguela, uma rota originalmente desenvolvida por engenharia portuguesa e capital britânico no início do século XX.
A parceria entre a China e Angola tem sido vista como uma relação de conveniência mútua. A China obtém o petróleo necessário para o seu crescimento industrial, enquanto Angola obtém o financiamento necessário para reconstruir o seu país. No entanto, alguns críticos argumentam que a China priorizou o betão em detrimento do alívio urgente e do desenvolvimento humano da maioria da população angolana. Relatórios independentes mostram que mais de metade do investimento chinês em Angola se concentrou na energia e no petróleo.
O corredor do Lobito é uma rota transcontinental que liga Angola à República Democrática do Congo e é visto como um importante eixo de influência para a China. A herança colonial do Caminho de Ferro de Benguela foi renovada entre 2006 e 2014 com o investimento nacional e a ajuda de construtoras estatais chinesas. A ligação ao Porto do Lobito é encarada como uma rota interna de reconstrução e um corredor transcontinental cobiçado para atravessar o continente em linha recta.
A entrada dos Estados Unidos e da União Europeia no financiamento do corredor do Lobito com 553 milhões de dólares através do DFC para o lado angolano abre novos horizontes económicos para a região. A investigação internacional sugere que essa iniciativa pode ser vista como uma estratégia de segurança para quebrar o monopólio industrial da China nas cadeias de transição energética. A diplomacia chinesa, por sua vez, argumenta que a sua presença na região é legítima, pois investiu no terreno quando o Ocidente estava ausente.
A modernização da linha da Nova Tazara por 1,4 mil milhões de dólares rumo ao Índico é outro exemplo da influência da China na região. A China está a investir na modernização da infraestrutura para aumentar a sua influência económica e estratégica em África. A parceria entre a China e Angola é vista como um exemplo de como os países africanos podem se beneficiar da cooperação com a China.
A influência da China em Angola e no corredor do Lobito é um tema complexo e multifacetado. A China tem sido um parceiro importante para Angola, mas também há críticas à sua abordagem. A entrada de novos atores, como os Estados Unidos e a União Europeia, pode mudar a dinâmica da região e criar novas oportunidades para o desenvolvimento económico.
Key points
- A China investiu mais de 45 mil milhões de dólares em infra-estruturas em Angola.
- O corredor do Lobito é uma rota transcontinental que liga Angola à República Democrática do Congo.
- A entrada dos Estados Unidos e da União Europeia no financiamento do corredor do Lobito pode mudar a dinâmica da região.