A Universidade Politécnica, em parceria com a Rotaract Clube de Maputo, promoveu uma sessão de reflexão sobre a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental, no âmbito das actividades alusivas ao Setembro Amarelo. A sessão, realizada sob o lema “Vamos Falar Para Salvar Vidas”, teve como objectivo sensibilizar a comunidade académica para a importância do diálogo, da escuta e da procura atempada de apoio perante situações de sofrimento emocional.
A sessão foi organizada pelo Núcleo de Práticas Psicológicas da Universidade Politécnica, em parceria com o Rotaract, e reuniu estudantes, docentes e outros participantes em torno de temas relacionados com os factores de vulnerabilidade emocional, os sinais de sofrimento psicológico, a escuta activa e a criação de espaços seguros para a procura de apoio. A coordenadora do Curso de Psicologia da Universidade Politécnica, Crisália Tuto, explicou que a iniciativa visa incentivar as pessoas a falarem sobre as suas dificuldades e a procurarem apoio sempre que enfrentem situações e perturbação emocional.
Durante os diferentes paineis, a psicóloga Brígida Nhantumbo abordou a importância de fortalecer uma cultura de proximidade, solidariedade e atenção ao próximo, salientando que pequenos gestos de apoio podem fazer a diferença na vida de pessoas em situação de sofrimento psicológico. A especialista chamou igualmente à atenção para a necessidade de abordar abertamente os problemas emocionais, como forma de reduzir o isolamento e incentivar a procura de apoio junto da família, das instituições de ensino, das comunidades e dos profissionais de saúde.
O especialista em saúde mental Jaime Nuvunga sublinhou que não existe uma causa única que leve uma pessoa a pensar em suicídio, mas uma combinação de factores de risco que podem estar interligados. Ele explicou que alguns desses factores podem ser modificáveis, enquanto outros estão relacionados com aspectos como idade, sexo e determinadas condições de saúde mental, incluindo ansiedade e perturbações do humor.
Jaime Nuvunga também destacou que a prevenção do suicídio deve ser um modo de vida e não apenas uma actividade a ser realizada durante o Setembro Amarelo. Ele enfatizou a necessidade de criar uma rede de apoio e de suporte multidisciplinar capaz de fazer face a este dilema, envolvendo a componente hospitalar, a comunidade, a sociedade e a igreja.
A terapeuta Nereyda Ah-Hoy referiu-se à relação entre as emoções e as manifestações físicas, explicando que situações de sofrimento emocional intenso podem produzir sinais no corpo antes mesmo de serem plenamente compreendidas pela mente. Ela destacou que as questões emocionais não são apenas sentimentos ou sensações, mas experiências psicológicas intensas com expressão biológica.
A sessão de reflexão sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental foi uma iniciativa importante para consciencializar a comunidade académica sobre a importância do diálogo e da procura de apoio em situações de sofrimento emocional. A Universidade Politécnica e o Rotaract Clube de Maputo demonstraram assim o seu compromisso com a promoção da saúde mental e a prevenção do suicídio.
Key points
- A Universidade Politécnica realizou uma sessão de reflexão sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental no âmbito do Setembro Amarelo.
- A sessão teve como objectivo sensibilizar a comunidade académica para a importância do diálogo e da procura de apoio em situações de sofrimento emocional.
- A prevenção do suicídio deve ser um modo de vida e não apenas uma actividade a ser realizada durante o Setembro Amarelo.