De acordo com um relatório recente da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), o stresse e os problemas de saúde psicológica no trabalho têm um impacto significativo nas empresas portuguesas. A perda de produtividade estimada devido a estes problemas é de 13,3 mil milhões de euros por ano, o que equivale a cerca de 36 milhões de euros por dia ou 1,5 milhões de euros por hora.
O valor da perda de produtividade mais do que quadruplicou em quatro anos. Em 2020, a perda estimada era de 3,2 mil milhões de euros, aumentando para 5,3 mil milhões em 2022 e atingindo 13,3 mil milhões de euros em 2024. A OPP destaca que este valor representa cerca de 2,1% do volume de negócios das empresas portuguesas.
O relatório também aponta que o custo da perda de produtividade associada ao stresse e aos problemas de saúde psicológica equivale a cerca de 13,5% de toda a despesa anual das empresas com salários e outros encargos sociais. Nas pequenas e médias empresas (PME), este valor chega a aproximadamente 16,5%. A OPP considera que a estimativa é conservadora, pois apenas abrange empresas não financeiras e exclui a Administração Pública.
Em 2024, cada trabalhador faltou, em média, 13,5 dias por ano devido ao stresse e a problemas de saúde psicológica. Além disso, os trabalhadores apresentaram até 27 dias de presentismo, ou seja, situações em que a pessoa está a trabalhar, mas com a sua produtividade reduzida devido a problemas de saúde.
A OPP defende que seria possível evitar perdas próximas de 4 mil milhões de euros por ano com medidas de promoção da saúde psicológica, prevenção e identificação precoce dos problemas. A bastonária da OPP, Sofia Ramalho, enfatiza que investir em locais de trabalho saudáveis é investir nas pessoas e também uma decisão de gestão, produtividade e sustentabilidade.
O estudo recomenda que as organizações e líderes avaliem regularmente os riscos psicossociais, integrem psicólogos do trabalho e implementem ações de prevenção e promoção da saúde psicológica. Além disso, defende o reforço de lideranças e culturas organizacionais saudáveis e a integração do bem-estar nos objetivos estratégicos das empresas.
A saúde psicológica no trabalho não é apenas uma questão de bem-estar ou saúde, mas também de produtividade, competitividade e sustentabilidade das organizações. O relatório apresenta um conjunto de recomendações para prevenir os riscos psicossociais e promover a saúde mental no trabalho, salientando que o investimento nesta área pode ter um retorno económico significativo.
Key points
- O stresse e problemas psicológicos no trabalho custam 13,3 mil milhões de euros por ano às empresas portuguesas.
- A perda de produtividade devido a estes problemas equivale a 1,5 milhões de euros por hora.
- Medidas de promoção da saúde psicológica podem reduzir as perdas em pelo menos 30%.