A restauração florestal está avançando em todo o mundo, com exemplos positivos no Brasil e em outros países. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), governos de 91 países prometeram restaurar 190 milhões de hectares de florestas. O relatório destaca que a restauração das matas proporciona benefícios duradouros para a biodiversidade, clima, segurança alimentar e desenvolvimento.

O povo indígena Xukuru, que vive no interior do Estado de Pernambuco, Brasil, é um exemplo de sucesso na restauração florestal. Com o apoio da FAO, o grupo conseguiu restaurar 91,7 hectares nas montanhas Ororubá, um ecossistema rochoso no bioma da caatinga. Eles utilizaram conhecimento ancestral para devolver pedras às formações rochosas e construir barreiras para retardar o escoamento da água e acumular matéria orgânica.

Outro exemplo de iniciativa de restauração florestal no Brasil é o Pacto Trinacional da Mata Atlântica, que reúne Argentina, Brasil e Paraguai para responder a uma necessidade urgente de restauração em larga escala. A Mata Atlântica possui menos de 30% da sua cobertura original, após séculos de expansão agrícola, pecuária, urbanização e extração de madeira. O projeto aposta em um sistema de governança de baixo para cima, onde múltiplos atores, setores e regiões integram o conhecimento e as necessidades de populações rurais e povos indígenas.

A FAO também reconhece avanços na legislação brasileira, citando a Lei 12.651, que estabelece obrigações juridicamente vinculantes de restaurar a vegetação nativa em áreas de preservação permanente e reservas legais. Tais obrigações são operacionalizadas pelo Decreto nº 8.972, de 2017, que institui a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa. A meta desta política é restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que a restauração de florestas e paisagens é mais do que uma prioridade ambiental, "é um investimento estratégico em sistemas agroalimentares resilientes e desenvolvimento rural". As florestas cobrem cerca de 32% da superfície da Terra, armazenam 714 gigatoneladas de carbono e abrigam até 80% da biodiversidade.

No entanto, estima-se que 489 milhões de hectares de floresta foram perdidos entre 1990 e 2025 devido ao desmatamento. Além disso, mais de 460 milhões de hectares estão degradados em todo o mundo. Todos os anos, cerca de 127 milhões de hectares de floresta são afetados por incêndios, com danos adicionais causados por insetos, doenças e eventos climáticos severos.

Segundo a FAO, restaurar mais de 1 bilhão de hectares de terras degradadas poderia gerar US$ 1,8 trilhão por ano em benefícios, incluindo aumento da biodiversidade, melhor regulação da água e solos mais saudáveis. O relatório da FAO destaca a importância da restauração florestal para o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente.

Key points

  • A restauração florestal proporciona benefícios duradouros para a biodiversidade, clima, segurança alimentar e desenvolvimento.
  • O povo indígena Xukuru é um exemplo de sucesso na restauração florestal no Brasil.
  • A FAO estima que restaurar mais de 1 bilhão de hectares de terras degradadas poderia gerar US$ 1,8 trilhão por ano em benefícios.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.