Os protestos pelo direito à habitação regressaram a Lisboa e ao Porto, com manifestantes a montar tendas no Rossio e na Praça D. João I. Em Lisboa, as tendas começaram a ser montadas às 23h30 de terça-feira, numa ação simbólica que visa chamar a atenção para a necessidade de mudanças na lei do arrendamento. Os manifestantes exigem que o governo tome medidas para tornar a habitação mais acessível e para proteger os direitos dos inquilinos.
Em Lisboa, cerca de seis dezenas de tendas foram montadas no Rossio, com cartazes a pedir "menos turismo, mais bairro" e a exigir mudanças na lei do arrendamento. Os manifestantes, incluindo Tomás Gonçalves, 24 anos, estudante do Instituto Superior Técnico, defendem que a lei do arrendamento tem de ser alterada para proteger os direitos dos inquilinos. Gonçalves acrescentou que a habitação é um direito fundamental que está a ser negado à sua geração.
Constança, 26 anos, emigrante nos Países Baixos, também participou nos protestos em Lisboa. Ela afirmou que foi forçada a emigrar devido à falta de oportunidades e ao preço da habitação em Portugal. Constança defendeu que o governo deve tomar medidas para aumentar a habitação social e para proteger os direitos dos inquilinos. Ela também criticou as cargas policiais contra os manifestantes, afirmando que isso não a fez desistir de lutar pelos seus direitos.
Os protestos em Lisboa e Porto são suprapartidários e envolvem pessoas de diferentes idades e origens. Em Lisboa, uma assembleia popular foi realizada na Praça D. Pedro IV, com centenas de pessoas a participar. Os manifestantes aprovaram uma moção que defende a permanência em resistência na Praça D. João I, no Porto, e a continuação dos protestos pelo direito à habitação.
Em Porto, mais de 20 tendas foram montadas na Praça D. João I, com poucas dezenas de pessoas a participar. A assembleia popular deliberou a permanência em resistência no local e a continuação dos protestos. Os manifestantes também discutiram a possível formação de um Comité de Representação para reuniões com autoridades.
Renata Cambra, ativista, criticou o governo por não tomar medidas suficientes para resolver a crise da habitação. Ela afirmou que o governo beneficia os fundos imobiliários e as grandes construtoras, em vez de proteger os direitos dos inquilinos. Cambra também defendeu que a renda moderada é de 2.300 euros, o que é incomportável para muitos portugueses.
Os protestos pelo direito à habitação têm-se sucedido em Portugal desde 10 de outubro, com manifestações em Lisboa e Porto. Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, e mais habitação pública. A TV RECORD e a RecordTV Cabo Verde acompanharam os protestos.
Key points
- Os manifestantes exigem mudanças na lei do arrendamento e mais habitação acessível.
- Os protestos são suprapartidários e envolvem pessoas de diferentes idades e origens.
- O governo foi criticado por não tomar medidas suficientes para resolver a crise da habitação.