A pesca de brisa, praticada com recurso a redes de malha reduzida, poderá estar com os dias contados em São Tomé e Príncipe. Um projeto de pesca responsável desenvolvido durante três meses pelos consórcios Oikos, Marapa e pelo programa Tatô está a promover a adoção da técnica de palangre como uma alternativa sustentável. A técnica de palangre é mais seletiva e utiliza anzóis e linhas acessíveis à maioria dos pescadores.
O projeto, financiado pela Fish4ACP em cerca de 200 mil dólares, visa promover práticas mais sustentáveis para garantir o futuro da atividade piscatória no país. Segundo Alexander Ramos, consultor do projeto, a adoção do palangre não implica o abandono total da pesca com redes, desde que se utilize uma rede com a malhagem adequada e em conformidade com a legislação em vigor. A aprendizagem da técnica do palangre pode ser adquirida por quem pratica a pesca de brisa.
O projeto apostou na sensibilização, capacitação e envolvimento direto de pescadores e palaiês de várias comunidades piscatórias do arquipélago. Foram realizadas várias oficinas nas quais, juntamente com as comunidades, se definiu o que deve ser uma pesca responsável. O resultado desse trabalho está refletido no manual apresentado. Paralelamente, investiu-se na formação dos pescadores que participaram na campanha.
A mensagem do projeto foi bem assimilada pelos participantes. Marques Lima, pescador da Praia Gamboa, afirmou que não se pode continuar a pescar peixes pequenos, porque a cada dia que passa o peixe está a diminuir no mar. Já Arlindo Ramos, pescador da Praia Cruz, reconheceu a necessidade de adaptação e afirmou que ainda não tem muita prática no uso da linha, mas que com o tempo terá de aprender.
O projeto de pesca responsável em São Tomé e Príncipe visa garantir o futuro da atividade piscatória no país. Segundo Antunes Pina, representante do programa Tatô, o projeto investiu na formação dos pescadores que participaram na campanha, construindo em conjunto as artes de pesca utilizadas. A adoção da técnica de palangre é vista como uma forma de garantir uma maior seletividade das capturas.
A pesca responsável é um princípio fundamental para o futuro da atividade piscatória em São Tomé e Príncipe. O projeto de pesca responsável está a contribuir para a promoção de práticas mais sustentáveis e para a garantia do futuro da atividade piscatória no país. A técnica de palangre é vista como uma alternativa sustentável à pesca de brisa.
O governo de São Tomé e Príncipe está a apoiar a iniciativa, com a aprovação do regulamento da pesca artesanal e a formação de técnicos da direção das pescas para avaliar o estado dos recursos pesqueiros. A aquisição de 209 botes e a comparticipação de 30% para a formação de 400 pescadores e palaiês em todo o país também estão previstas.
Key points
- O projeto de pesca responsável em São Tomé e Príncipe visa promover práticas mais sustentáveis para garantir o futuro da atividade piscatória no país.
- A técnica de palangre é mais seletiva e utiliza anzóis e linhas acessíveis à maioria dos pescadores.
- O projeto investiu na formação dos pescadores que participaram na campanha, construindo em conjunto as artes de pesca utilizadas.