O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, fez um balanço globalmente positivo dos cinco anos como Presidente, classificando o mandato que agora termina como "audaz, auspicioso e cintilante". Em declarações prestadas aos jornalistas, o Chefe de Estado sublinhou a estabilidade política e institucional alcançada no país, a intensificação do diálogo com a diáspora e o reforço da presença de Cabo Verde em fóruns internacionais.

José Maria Neves destacou a estabilidade política e institucional alcançada no país, permitindo "abrir novos caminhos através de um diálogo intenso entre todas as forças políticas, entre o Estado e os municípios, entre o Estado e a sociedade, entre o Estado e os cidadãos". O Presidente recordou que, ao longo dos cinco anos, houve duas eleições autárquicas, com "várias alternâncias políticas, num ambiente de serenidade e tranquilidade".

O Presidente reivindicou o papel de "ouvidor-geral da República", tendo visitado todas as ilhas e os principais países de acolhimento de emigrantes cabo-verdianos através das iniciativas "presidência da ilha" e "presidência da diáspora". Entre os países visitados no âmbito da diáspora, o Presidente citou Estados Unidos, São Tomé e Príncipe, Portugal, França, Angola, Luxemburgo, Espanha, Guiné-Bissau e Países Baixos.

José Maria Neves também destacou as chamadas "Semanas da República", com incidência na chamada geração Z, considerando fundamental "descodificar" a linguagem dos jovens e criar canais que garantam a sua maior participação no processo de desenvolvimento do país. O balanço não deixou de fora os momentos mais difíceis do mandato, como o acidente de viação na Serra Malagueta e a tempestade Erin.

O Presidente destacou ainda os "momentos de grandeza" do mandato, como a comemoração dos 50 anos da independência nacional, que incluiu a libertação de presos políticos, a tomada de posse do governo de transição e a proclamação da República, com a presença de vários chefes de Estado. No plano diplomático, José Maria Neves elencou visitas de Estado recebidas de vários chefes de Estado.

José Maria Neves foi questionado sobre eventuais pressões ou interferências políticas no exercício das funções e admitiu enfrentar "pressões todos os dias", distinguindo entre pressões normais e pressões indevidas. O Presidente defendeu que o Presidente deve agir "com autonomia, imparcialidade" e uma perspectiva de longo prazo, em defesa das instituições e do Estado de Direito.

O Presidente admitiu que possa ter havido falhas ou erros durante o mandato, mas defendeu que só "quem não trabalha, só quem não faz nada" é que está livre de cometer enganos. José Maria Neves também reconheceu a polémica em torno da compensação atribuída à Primeira-Dama, mas insistiu que a questão foi tratada "de boa fé" e "de forma absolutamente transparente".

Key points

  • O Presidente José Maria Neves destaca a estabilidade política e institucional alcançada em Cabo Verde durante o seu mandato.
  • O Presidente visitou todas as ilhas e principais países de acolhimento de emigrantes cabo-verdianos.
  • José Maria Neves admite enfrentar pressões diárias, mas defende agir com autonomia e imparcialidade.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.