O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, uma importante via de transporte de petróleo e gás natural. A proposta foi apresentada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, à delegação norte-americana, num diálogo mediado pelo Catar, durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU em Nova Iorque. A rejeição da proposta por Trump levou a um aumento nos preços do petróleo.

A proposta iraniana previa a reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias, com metas claras, em troca do alívio das sanções ocidentais contra o Irão, especialmente quanto à comercialização do seu petróleo, a devolução do dinheiro congelado no exterior e o travão a fundo na guerra, incluindo as frentes do Líbano e Iémen. A Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) atacou cerca de duas dezenas de petroleiros no Golfo Pérsico após a rejeição da proposta por Trump.

O preço do barril de crude Brent, a referência principal para as ramas exportadas por Angola, subiu mais de 2% para mais de 106 USD após a rejeição da proposta iraniana. Nos últimos dias, o preço do petróleo tem oscilado devido às declarações de Trump, que variam entre a ameaça de "aniquilar a República Islâmica" e a afirmação de que está para breve um acordo com o Irão.

Analistas acreditam que as oscilações de humor de Trump podem ser mais do que mera demonstração de perdas neuronais aceleradas, e podem estar relacionadas com os interesses dos seus amigos e financiadores de primeira linha que estão no negócio do fracking. O aumento dos preços do petróleo pode ter um impacto significativo na economia global, especialmente nos países com economias mais petrodependentes, como Angola.

Angola é um dos países mais atentos às oscilações dos preços do petróleo devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas. O Governo angolano estima que o preço do petróleo será de 61 USD por barril no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026, mas o preço atual é cerca de 45 USD acima desse valor. A economia angolana depende fortemente do petróleo, que responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país.

O Governo angolano deposita esperança de conseguir aumentar a produção nacional de petróleo, uma das razões por que abandonou a OPEP em 2023. Actualmente, a produção nacional de petróleo está abaixo de 1 milhão de barris por dia. O aumento da produção pode gerar mais receita no sector e ajudar a libertar a economia nacional da dependência do petróleo.

A situação no Golfo Pérsico e o impacto nos preços do petróleo continuam a ser monitorizados por analistas e governos em todo o mundo. A incerteza em torno das declarações de Trump e das respostas do Irão mantém os mercados em alerta, e o cenário pode ter implicações significativas para a economia global nos próximos meses.

Key points

  • A rejeição da proposta iraniana por Trump levou a um aumento nos preços do petróleo.
  • A economia angolana depende fortemente do petróleo, que responde por cerca de 90% das exportações angolanas.
  • O Governo angolano estima que o preço do petróleo será de 61 USD por barril no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.