O partido MPLA está a exigir aos jornalistas que pretendem fazer a cobertura do seu 9º congresso ordinário, agendado para Dezembro, o número do Comité de Acção do Partido (CAP). Esta exigência consta da ficha de inscrição que os profissionais da comunicação social devem preencher para obterem credenciais. A situação tem gerado preocupação entre os jornalistas, que consideram a exigência inédita e invasiva.

A exigência do número do CAP tem sido vista como uma tentativa de controlar a cobertura jornalística do congresso. Anteriormente, o MPLA limitava-se a exigir uma lista dos órgãos de comunicação social com os nomes dos profissionais indicados para a cobertura, seguida da entrega de cópias do Bilhete de Identidade e fotografias. A introdução do campo referente ao número do CAP na ficha de inscrição é uma novidade que tem levantado questões sobre a liberdade de imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) condenou a exigência do MPLA, considerando-a uma violação do estatuto do jornalista e do código de ética. Segundo Pedro Miguel, secretário-geral do SJA, a exigência entra em conflito com os princípios da profissão, que proíbem a militância partidária activa e o exercício de cargos de direcção partidária por jornalistas.

O SJA está a apelar à classe jornalística para ignorar o campo referente ao número do CAP na ficha de inscrição. Pedro Miguel afirmou que os jornalistas não devem preencher esse campo, pois isso pode condicionar a emissão das credenciais. A decisão do MPLA tem sido vista como uma forma de pressão sobre os jornalistas para que se filiem ao partido.

A maioria dos jornalistas tem deixado o campo referente ao número do CAP em branco, mas há receio de que isso possa afectar a sua capacidade de fazer a cobertura do congresso. O MPLA ainda não se pronunciou oficialmente sobre a exigência, mas a situação continua a gerar tensão entre os profissionais da comunicação social.

A exigência do MPLA tem sido vista como um teste à liberdade de imprensa em Angola. O país tem uma imprensa relativamente livre, mas há preocupações de que o governo e os partidos políticos estejam a tentar controlar a cobertura jornalística. A situação está a ser monitorizada por organizações de defesa da liberdade de imprensa.

O 9º congresso ordinário do MPLA está agendado para Dezembro e deverá ser um evento importante para o partido e para o país. A cobertura jornalística do congresso será fundamental para informar o público sobre as deliberações e decisões que serão tomadas. A exigência do número do CAP aos jornalistas é apenas um dos aspectos que têm gerado polémica em torno do evento.

Key points

  • O MPLA exige número do Comité de Acção do Partido a jornalistas para credenciamento no 9º congresso ordinário.
  • O Sindicato dos Jornalistas Angolanos condena a exigência e apela à classe jornalística para ignorar o campo referente ao número do CAP.
  • A situação tem gerado preocupação entre os jornalistas e é vista como um teste à liberdade de imprensa em Angola.

Share this story

Written by

SaharaWire Newsroom
SaharaWire

Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.