O Rei de Marrocos, Mohammed VI, nomeou Fatima Ezzahra El Mansouri como a primeira-ministra do país, marcando um importante passo para a igualdade de gênero no mundo árabe e em África. El Mansouri é uma advogada de formação que já foi eleita para a câmara de Marraquexe em 2009, com apenas 33 anos. A sua nomeação é vista como um reflexo da aposta do rei Mohammed VI na modernidade e na promoção dos direitos das mulheres.
A nomeação de El Mansouri é um evento raro no continente africano, onde apenas 11 países tiveram uma mulher como primeira-ministra desde o início do século. No mundo árabe, apenas uma mulher, Najla Bouden Romdhane, da Tunísia, havia ocupado o cargo de primeira-ministra antes de El Mansouri. A sua nomeação também reflete as mudanças políticas em Marrocos, onde o rei Mohammed VI tem promovido a modernização e a industrialização do país.
El Mansouri foi nomeada após a vitória do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM) nas eleições legislativas de 23 de setembro, que obteve 97 dos 395 lugares no Parlamento. O PAM é um partido de centro-direita que se comprometeu a promover a modernização e o desenvolvimento económico do país. El Mansouri também foi ministra da Habitação no anterior Executivo, onde se destacou por iniciar projetos ambiciosos que agora poderá catapultar como primeira-ministra.
No entanto, a tarefa de El Mansouri não será fácil, pois terá que formar um governo de coligação com vários partidos para garantir a estabilidade política nos próximos cinco anos. O rei Mohammed VI ainda mantém uma preponderância governativa importante, mas as últimas reformas constitucionais permitiram a transferência de poder em vários sectores para o Governo parlamentar.
Os desafios que El Mansouri enfrentará incluem o desemprego jovem, a inflação e as desigualdades sociais, que têm vindo a crescer de forma acelerada nos últimos cinco anos. Durante a campanha, o PAM comprometeu-se a alcançar um crescimento médio anual de 5%, manter a inflação nos 2% e criar pelo menos um milhão de empregos durante o mandato.
A nomeação de El Mansouri também reflete a mudança no cenário político marroquino, onde o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD, islamista) quadruplicou a sua representação parlamentar, conquistando 54 lugares. O Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), partido do chefe do Governo cessante, Aziz Akhannouch, ficou em segundo lugar, com 66 lugares.
A nomeação de El Mansouri é um passo importante para a promoção da igualdade de gênero em Marrocos e no mundo árabe. A sua liderança poderá inspirar outras mulheres a entrar na política e a lutar por seus direitos. A sua capacidade de formar um governo de coligação e de enfrentar os desafios económicos e sociais do país será fundamental para o seu sucesso como primeira-ministra.
Key points
- A nomeação de Fatima Ezzahra El Mansouri como primeira-ministra de Marrocos é um marco para a igualdade de gênero no continente africano e no mundo árabe.