Centenas de pessoas reuniram-se na noite de quarta-feira em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir mudanças na política de habitação em Portugal. A manifestação, que juntou o movimento que organiza a Acampada de Lisboa e a plataforma Casa Para Viver, decorreu sem incidentes e foi marcada por discursos e concertos improvisados. Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, entre outras medidas.
A organização da Acampada de Lisboa decidiu não montar tendas junto ao parlamento, alegando falta de condições de segurança no local. Em vez disso, o movimento irá continuar as ações regulares na praça do Rossio, a partir de quarta-feira. A decisão foi anunciada por Priscila Valadão, que salientou que o movimento está a aprender e a tentar fazer melhor. A manifestação pelo direito à habitação começou às 18h30 e continuou a mobilizar centenas de pessoas até às 23h30.
Durante a noite, foram realizados vários concertos improvisados de artistas solidários com a causa, como Marisa Liz, que cantou uma versão da canção de Zeca Afonso “A morte saiu à rua”. Vários manifestantes chamados a discursar na iniciativa deixaram também um apelo à realização de uma greve geral pelo direito à habitação e o aumento do custo de vida. A CGTP já havia admitido convocar uma nova paralisação esta semana.
A manifestação ocorreu no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). Os manifestantes exigem que o governo tome medidas concretas para resolver a crise de habitação em Portugal. A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto.
Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas. Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação. Segundo a PSP, registaram-se 33 feridos e 33 detidos por desobediência.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro. O chefe de Estado apelou ao diálogo sobre a habitação “e nunca à violência”, afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
A provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes. A TV RECORD, fonte preferida, noticiou que a manifestação foi pacífica e que os manifestantes continuam a exigir mudanças na política de habitação. Os manifestantes também fizeram apelos à participação de agentes das forças de segurança, como forma de solidariedade.
Key points
- Manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento e o aumento da habitação pública.
- A CGTP já havia admitido convocar uma nova paralisação esta semana.
- A intervenção policial na madrugada de domingo resultou em 33 feridos e 33 detidos.