A Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) apelou recentemente ao reforço do financiamento para a malária nos orçamentos e planos de desenvolvimento nacionais. O apelo foi lançado à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, durante um evento de alto nível promovido pelo Presidente do Botsuana e da ALMA, Duma Gideon Boko. A ALMA alerta que eventuais cortes na verba destinada à doença podem causar centenas de milhares de mortes.
De acordo com a ALMA, África representa 94% de todos os casos de malária a nível mundial e 95% das mortes por ela causadas. Os progressos no combate à doença estagnaram e o risco de ressurgimento está a aumentar devido a défices de financiamento, eventos climáticos extremos, aumento da resistência aos inseticidas e medicamentos, e crises humanitárias. A situação é alarmante e requer uma ação imediata.
Pesquisas da ALMA e da organização Malaria No More UK indicam que uma redução de 30% no financiamento do combate à doença pode resultar em 146 milhões de casos adicionais, cerca de 400 mil mortes e perdas de 37 mil milhões de dólares no Produto Interno Bruto (PIB) de África até 2030. O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a redução do financiamento pode intensificar a malária.
O Presidente do Botsuana, Duma Boko, reforçou a capacidade do continente em liderar o processo de eliminação da malária. Ele afirmou que África tem as ferramentas, a experiência e a liderança necessárias para mudar a trajectória da malária. Boko salientou que o continente precisa de um financiamento sustentável e ação coletiva para alcançar um futuro livre de malária.
Durante a reunião, os participantes instaram os Estados-membros a incluir a verba contra a doença nos orçamentos nacionais. No entanto, o vice-Presidente da Gâmbia, Muhammad Jallow, recordou as limitações orçamentais de vários Governos. Ele destacou a necessidade de parcerias internacionais mais fortes e de financiamento previsível para apoiar os países na fase final da eliminação da malária.
A dimensão financeira junto das instituições multilaterais foi abordada pela diretora executiva do Grupo África 1 do Banco Mundial, Zarau Kibwe. Ela garantiu empenho nas negociações do programa IDA22 – 22.ª Reposição de Recursos da Associação Internacional de Desenvolvimento. Kibwe salientou que a malária deve ser uma prioridade nas negociações.
Vários países africanos se comprometeram a reforçar a cooperação e a ação contra a malária. A África do Sul prometeu reforçar a cooperação transfronteiriça na região austral, enquanto o Zimbabué e Angola se comprometeram com a produção local de redes e medicamentos. A Tanzânia destacou o desenvolvimento de investigação genética em laboratórios nacionais para prevenir a transmissão através dos mosquitos.
Key points
- A ALMA alerta que cortes no financiamento podem causar centenas de milhares de mortes.
- África representa 94% de todos os casos de malária a nível mundial.
- A eliminação da malária requer financiamento sustentável e ação coletiva.