O Presidente de Angola, general João Lourenço, discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, criticando a "anarquia mundial" baseada na "lógica da força" que gera os atuais conflitos. Ele defendeu uma nova governança das Nações Unidas para restaurar a confiança e a paz. Lourenço, que lidera o MPLA, partido no poder há 50 anos, condenou o terrorismo em todas as suas formas e expressou preocupação com o rumo que o mundo tomou.

João Lourenço afirmou que "vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da lei". Ele destacou que a situação de paz e segurança mundiais vem se agravando ano após ano, com conflitos em várias regiões do mundo, incluindo a Europa, o Médio Oriente, o Golfo Pérsico e África. O chefe de Estado angolano expressou temor de que o mundo se aproxime de uma conflagração global.

O Presidente de Angola criticou a subalternização e violação das regras que regem as relações internacionais, prevalecendo a lógica da força e da intimidação. Ele apontou os conflitos que se desenrolam em várias regiões do mundo e destacou que a tentativa de dominação pela força das armas de países e regiões inteiras do globo vem conduzindo o mundo para uma situação de catástrofe.

João Lourenço expressou preocupação com o envolvimento direto de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas nos conflitos mais sangrentos e destruidores da atualidade. Ele defendeu que se torna cada vez mais premente e urgente uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com representação adequada para África, a América Latina e a Ásia.

O Presidente de Angola defendeu uma nova ordem mundial mais democrática e justa, que não se baseie apenas no poder do restrito clube dos vencedores de uma guerra. Ele destacou a necessidade de fazer uma profunda reflexão em sede das Nações Unidas para se encontrarem as melhores soluções para o alcance da paz global.

João Lourenço lembrou que Angola tem procurado contribuir para a paz e mencionou a cimeira extraordinária da União Africana sobre os mecanismos para a detecção e resolução de conflitos, em Agosto, em Luanda. Ele também mencionou o Fórum Panafricano para a Cultural da Paz e Não Violência, Bienal de Luanda, agendado para Outubro.

O discurso de João Lourenço foi proferido na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre até 28 de Setembro, em Nova Iorque. A sessão tem como lema "Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas ao serviço de todos". O Presidente de Angola encerrou seu discurso apelando para uma maior cooperação internacional para alcançar a paz e a segurança mundiais.

Key points

  • João Lourenço critica uso da força em vez da lei em conflitos mundiais
  • Presidente de Angola defende reforma no Conselho de Segurança da ONU
  • Angola busca contribuir para a paz global

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.