A III Cimeira Rússia-África, que decorre de 28 a 29 de Outubro em Moscovo, promete ser um encontro crucial para a avaliação da herança soviética em África, especialmente no caso de Angola. A presença de 17 líderes continentais, incluindo o Presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, e Vladimir Putin, sublinha a importância do evento. A cimeira abordará dossiês concretos como energia, mineração, agricultura e formação de quadros.

A União Soviética foi um dos mais poderosos aliados de Angola em 1975, estendendo sua influência desde a formação de quadros até apoio militar e matriz ideológica. Essa herança ainda é visível na cultura, literatura e política angolanas. A presença de Angola na cimeira assume um peso simbólico relevante, especialmente considerando a aproximação do país aos EUA. O Presidente João Lourenço lembrou essa herança em Sochi, há sete anos, e agora, no seu último ano de mandato, não participará da cimeira.

Com a queda do muro de Berlim em 1989, o soft power dos EUA impôs-se em Angola, trazendo novos padrões de consumo e uma mudança para um pensamento individualista. A vinda do anterior Presidente dos EUA, Joe Biden, e o Corredor do Lobito, trouxe esperança para o país, mas a Rússia continua sendo um parceiro crucial. A Rússia é uma das maiores esperanças de auto-suficiência alimentar para os países africanos, tornando-a uma parceria estratégica.

A cimeira terá a presença de líderes como Paul Kagame (Ruanda), Yoweri Museveni (Uganda), Daniel Chapo (Moçambique) e Félix Tshisekedi (RDC), além da Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, e do Presidente da Comissão da União Africana, Mahamoud Ali Youssouf. Estão previstos a assinatura de acordos intergovernamentais e a aprovação do Plano de Acção 2027-2029. O comércio Rússia-África cresceu de 13,9 mil milhões de dólares em 2019 para mais de 27 mil milhões em 2025.

No entanto, o Kremlin admite pressões ocidentais para o boicote do evento. As relações históricas entre a Rússia e Angola serão postas à prova, com Angola precisando transformar a memória soviética em contratos, investimento e tecnologia russa. A aproximação de Angola a Washington, especialmente com a Administração Trump, não foi tão promissora quanto parecia com Biden.

O embaixador nomeado da Rússia em Angola, Alexander Bryantsev, anunciou níveis excelentes de cooperação entre os dois países. Resta saber se esses anúncios se concretizarão na prática. A III Cimeira Rússia-África será um teste crucial para a parceria entre a Rússia e Angola, e para a influência russa em África.

A cimeira ocorre em um contexto de crescente multipolaridade no mundo. A Rússia busca fortalecer suas relações com os países africanos, oferecendo uma alternativa às potências ocidentais. A herança soviética ainda é um fator importante nas relações entre a Rússia e Angola, e a cimeira será uma oportunidade para avaliar o estado atual dessas relações e definir novos rumos.

Key points

  • A III Cimeira Rússia-África será um encontro crucial para a avaliação da herança soviética em África.
  • A presença de 17 líderes continentais, incluindo Vladimir Putin, sublinha a importância do evento.
  • A cimeira abordará dossiês concretos como energia, mineração, agricultura e formação de quadros.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.