Os democratas alcançaram uma vitória significativa nas eleições intercalares nos Estados Unidos, conquistando a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Essa derrota histórica para o presidente Donald Trump foi anunciada na terça-feira, 3 de novembro, e marca uma mudança no equilíbrio de forças em Washington. Com essa vitória, os democratas poderão bloquear projetos do governo, fiscalizar gastos públicos e abrir investigações sobre a administração republicana.

Os resultados das eleições intercalares foram surpreendentes, com os democratas alcançando vitórias em estados republicanos. Em Michigan, Abdul El-Sayed reivindicou a vitória sobre o republicano Mike Rogers, tornando-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano. Já no Texas, James Talarico derrotou o procurador-geral republicano Ken Paxton, encerrando um jejum democrata de 30 anos no estado.

A dimensão histórica do resultado aparece nas vitórias democratas em estados onde o partido acumulava décadas de derrotas nas eleições para o Senado. No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall, encerrando um jejum democrata iniciado em 1932. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu em um estado que não elegia um senador democrata desde 1998.

A onda de vitória dos democratas também atingiu Ohio, Iowa, Carolina do Norte e Maine. Segundo a Associated Press, os democratas tomaram ao menos sete cadeiras do Senado dos republicanos, ampliando o alcance da derrota do partido de Trump. Além disso, a composição do novo Senado também terá marcos de representatividade, com o progressista Abdul El-Sayed sendo o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.

Com a nova composição da Câmara dos Representantes e do Senado, os democratas terão poder para barrar projetos do governo, fiscalizar gastos públicos e abrir investigações sobre a administração republicana. Trump passará a negociar com uma oposição que controlará as duas Casas legislativas. A maioria no Senado representa um obstáculo adicional para a Casa Branca, que precisará aprovar ou rejeitar indicações presidenciais para ministros, embaixadores e juízes federais.

Diante das projeções de derrota, Trump declarou estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados” e afirmou que “provavelmente chegaremos a um entendimento” com os democratas no Congresso. No entanto, ele também ameaçou usar seu poder de veto para bloquear iniciativas da maioria democrata no Congresso. Essa estratégia já havia sido antecipada em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post.

A derrota dos republicanos ocorreu num cenário de desgaste do governo de Trump, marcado pela insatisfação com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida. O descontentamento alcançou eleitores de estados que haviam contribuído para a vitória presidencial de Trump em 2024. Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação mostrou o presidente Trump com 32% de aprovação, perto de seus piores índices históricos.

Key points

  • Democratas conquistam controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA.
  • Abdul El-Sayed se torna o primeiro senador muçulmano da história dos EUA.
  • Trump enfrenta agora um Congresso de oposição e a perspectiva de confrontos permanentes sobre sua agenda.

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SaharaWire Newsroom
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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.