Um estudo recente divulgado pelo Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, EUA, prevê que o Super El Niño que está a emergir possa causar a morte de mais de 450 mil pessoas em todo o mundo. Esta estimativa é baseada no calor extremo que se espera que venha a fustigar vários pontos do Planeta, levando a escassez de água, secas e falhas catastróficas na produção agrícola.
O Super El Niño de 1877, que ainda não tinha sido baptizado, fez mais de 50 milhões de mortos em todo o mundo, devido a secas severas e cheias súbitas. No entanto, a capacidade de ajudar as populações aflitas é muito diferente hoje em dia. A ciência prevê que o número de vítimas do Super El Niño deste ano seja significativamente menor, mas ainda assim alarmante.
O estudo aponta que as áreas mais expostas em África são a Nigéria e o Sudão, na Ásia, a Índia e a Indonésia, nas Américas, o Brasil e os EUA. Além disso, regiões como a África Austral e Oriental, o sul da Europa ou o sudoeste asiático, também estão no caminho deste Super El Niño. Os cientistas alertam que os efeitos mais dramáticos serão sentidos a partir de Outubro e podem manter-se até Julho de 2027.
Os cientistas que elaboraram este relatório afirmam que o que está para chegar é "totalmente extraordinário" ao nível de um "evento Gdzilla". Eles explicam que os 450 mil mortos esperados resultarão "apenas" do aumento das temperaturas, porque as consequências, como fogos, avalanches... geradas por este fenómeno natural que tem sido ao longo de décadas fortemente robustecido pelas alterações climáticas geradas pelos gases com efeito de estufa.
Como medidas que podem limitar estes efeitos catastróficos, os cientistas apontam a melhoria das previsões meteorológicas, criar ferramentas de resposta rápida para acudir a eventos extremos repentinos, planear com antecedência a ajuda alimentar e médica e, se possível, evacuar as populações mais susceptíveis de serem "esmagadas" sob os "pés" deste endiabrado Niño.
O aquecimento anormal das águas do Pacífico, que gera este fenómeno, está a atingir valores nunca antes registados. As temperaturas estão a bater recordes históricos em quase todo o mundo, e as correntes marítimas globais estão a mudar, alterando as normas que regem os ventos planetários e as secas emergem deste caldo climático agreste com a mesma intensidade com que as inundações repentinas aparecem noutras partes do mundo.
Um exemplo recente do impacto do Super El Niño foi o colapso de um glaciar milenar na fronteira dos Himalaias, entre o Nepal e a China, que resultou do aumento local das temperaturas atmosféricas. Os cientistas alertam que é urgente criar planos para, se possível, deslocar populações inteiras das zonas mais abrasivas e que a Humanidade tem hoje capacidade para impedir uma mortandade semelhante à de 1877.
Key points
- 450 mil mortes são esperadas devido ao Super El Niño.
- As áreas mais expostas incluem a Nigéria, Sudão, Índia, Indonésia, Brasil e EUA.
- Medidas como melhoria das previsões meteorológicas e evacuação de populações podem limitar os efeitos catastróficos.