De acordo com o Banco de Portugal (BdP), os imóveis residenciais continuam a ser a maior fatia do património das famílias portuguesas. Em 2025, estes ativos representaram 52% do total, equivalente a 708 mil milhões de euros. No entanto, o seu peso reduziu dois pontos percentuais nos últimos quinze anos. A riqueza líquida das famílias aumentou 480 mil milhões de euros em quinze anos, fixando-se em 1.196 mil milhões de euros no final de 2025.

O crescimento da riqueza líquida das famílias deveu-se sobretudo à valorização dos imóveis e dos ativos financeiros. Entre 2010 e 2025, o valor dos imóveis residenciais aumentou quase 50%, de 473 para 708 mil milhões de euros. Esta subida foi registada em linha com a evolução das contas nacionais. O BdP atribui esta valorização ao aumento do valor do imobiliário ao longo do período.

Apesar de os imóveis residenciais continuarem a dominar o património das famílias, outras componentes do património ganharam importância relativa. As participações em capital, incluindo em empresas familiares, e os depósitos destacam-se como as segunda e terceira maior fatia do património, respetivamente. Em 2025, cada uma destas componentes representava 19% do total dos ativos, contra 14% e 16%, respetivamente, em 2010.

A composição do património varia consoante o nível de riqueza. Embora os imóveis predominem em todos os grupos, têm menos peso nos de maior riqueza. Em 2025, os imóveis representavam 74% dos ativos das famílias com riqueza líquida abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos dos 10% de famílias mais ricas. Entre estas últimas, as participações em capital são mais relevantes e correspondem a 28% do total dos ativos.

A riqueza líquida das famílias atingiu o valor mais baixo em 2013, com 656 mil milhões de euros, num período marcado pela crise financeira internacional e pela crise das dívidas soberanas na Europa. Desde então, retomou a trajetória de crescimento, influenciada sobretudo pela valorização dos ativos. Em percentagem do PIB, manteve-se relativamente estável nos últimos 15 anos.

Em 2025, a riqueza líquida das famílias correspondia a cerca de 390% do PIB, menos dez pontos percentuais do que em 2010. O máximo foi alcançado em 2020, com cerca de 433%, o que o BdP associa sobretudo à redução da atividade económica durante a pandemia. A riqueza das famílias evoluiu, em larga medida, em linha com a economia.

Do lado das dívidas, o crédito à habitação representava 77% do total dos passivos das famílias em 2025, face a 82% em 2010. Os empréstimos com outras finalidades subiram de 18% para 23% no mesmo período.

Key points

  • Os imóveis residenciais representaram 52% dos ativos das famílias portuguesas em 2025.
  • A riqueza líquida das famílias aumentou 480 mil milhões de euros em quinze anos.
  • O peso das casas nos ativos das famílias diminuiu de 54% para 52% em quinze anos.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.