O médico e antigo ministro da Saúde de Moçambique, Alexandre Manguele, defendeu recentemente o reforço da sensibilização da população e do acesso ao diagnóstico precoce do cancro da mama. Durante uma conferência nas Jornadas Científicas Estudantis da Universidade Politécnica, Manguele enfatizou que a identificação atempada da doença é crucial para aumentar as possibilidades de tratamento bem-sucedido e reduzir a mortalidade.
Manguele alertou para a necessidade de combater o desconhecimento, o medo e o estigma associados à doença, que contribuem para a procura tardia dos serviços de saúde e dificultam o acesso ao tratamento adequado. Ele explicou que quanto mais cedo se detectar o cancro da mama e se iniciar o tratamento, maiores são as possibilidades de cura. A doença pode afetar tanto mulheres quanto homens, e a informação sobre os fatores de risco e o reconhecimento dos sinais de alerta devem abranger toda a população.
O especialista destacou que entre os principais desafios à prevenção e ao controlo da doença estão a insuficiência de informação, as dificuldades de acesso aos serviços especializados e as limitações dos mecanismos de rastreio e diagnóstico. Manguele defendeu o reforço da educação para a saúde, a formação dos profissionais e a criação de condições que permitam encaminhar rapidamente os casos suspeitos para avaliação e tratamento.
A conferência marcou o encerramento das Jornadas Científicas Estudantis, que decorreram de 26 a 30 de Outubro, sob o lema “A Politécnica em Rede: Investigar, Partilhar, Transformar”. A sessão foi dirigida pelo reitor da Universidade Politécnica, Augusto Jone Luís, que apelou a uma maior participação de estudantes e docentes na produção científica.
O reitor incentivou a transformação dos resultados das investigações em artigos para publicação nas revistas da instituição. Ele destacou que as jornadas constituem um espaço de valorização do conhecimento e de incentivo à investigação, permitindo aos estudantes partilhar os resultados dos seus trabalhos e desenvolver competências para a actividade científica.
A iniciativa reuniu a comunidade académica das delegações de Maputo, Nampula, Quelimane, Tete e Nacala, bem como do Centro de Educação Aberta e à Distância (CEAD) e da Escola de Pós-Graduação (EPG). O programa contemplou reflexões sobre transformação digital, sustentabilidade, saúde e bem-estar, inovação, empreendedorismo, empregabilidade, ética e responsabilidade social.
A Universidade Politécnica procura fortalecer a articulação entre o ensino e a investigação científica, promover a partilha de experiências entre as suas diferentes delegações e incentivar a comunidade académica a produzir conhecimentos e soluções capazes de responder aos desafios da sociedade moçambicana.
Key points
- O antigo ministro da Saúde de Moçambique, Alexandre Manguele, defendeu o diagnóstico precoce do cancro da mama.