O ambientalista e presidente da ONG MINUTO VERDE, Rafael Lucas, considera que a previsão sazonal do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) deve ser utilizada como instrumento de alerta, planeamento e prevenção dos riscos climáticos em Angola. A previsão para o período de Outubro a Dezembro de 2026 aponta para maior probabilidade de chuvas acima da média em várias províncias.

Segundo Rafael Lucas, as regiões onde são esperadas chuvas acima da média poderão enfrentar possíveis inundações urbanas e rurais, transbordamento de rios e canais, danos em estradas e habitações, erosão dos solos e contaminação de fontes de água. O ambientalista alerta também para o risco de aumento de doenças relacionadas com água contaminada e proliferação de mosquitos, além de perdas agrícolas provocadas pelo excesso de água.

Rafael Lucas sublinha que uma previsão de chuvas acima da média não significa precipitação contínua em todas as localidades, enquanto a previsão de chuvas abaixo da média não representa necessariamente ausência total de precipitação ou uma seca imediata. No entanto, nas regiões onde são esperadas chuvas abaixo da média, como o Sul e Sudeste do país, a redução da precipitação poderá afectar comunidades dependentes da agricultura familiar, pecuária e fontes naturais de água.

Entre os riscos apontados para o Sul e Sudeste de Angola estão a redução da disponibilidade de água, degradação das pastagens, diminuição da produção agrícola, perda de gado, insegurança alimentar e deslocação de famílias e rebanhos em busca de água. O ambientalista alerta ainda para a possibilidade de aumento dos incêndios rurais, degradação dos solos e conflitos locais relacionados com o acesso à água.

Perante o cenário previsto, Rafael Lucas recomenda a actualização dos planos provinciais e municipais de contingência, tendo em conta tanto o risco de inundações como o défice de precipitação. Defende igualmente a limpeza das valas de drenagem, a identificação de zonas de risco, a reabilitação de furos, chimpacas, cisternas e sistemas comunitários de abastecimento de água no Sul do país.

O ambientalista considera ainda importante reforçar a captação e conservação da água da chuva e ampliar a divulgação dos avisos meteorológicos através das rádios, escolas, igrejas, autoridades tradicionais e organizações comunitárias, incluindo o uso das línguas nacionais. Rafael Lucas entende que Angola enfrenta dois desafios climáticos simultâneos: o excesso de precipitação em determinadas regiões e a insuficiência ou irregularidade das chuvas noutras.

Na sua avaliação, as alterações climáticas não se manifestam apenas através do aumento das temperaturas, mas também na distribuição, intensidade e regularidade das chuvas. Por isso, defende uma política permanente de adaptação climática, gestão sustentável da água, ordenamento do território e protecção das populações mais vulneráveis. “Preparar-se antecipadamente custa menos e salva mais vidas do que intervir apenas depois da ocorrência de uma seca, inundação ou crise alimentar”, afirma Rafael Lucas.

Key points

  • Ambientalista Rafael Lucas alerta para riscos de chuvas intensas e seca em Angola.
  • Previsão sazonal do INAMET aponta para chuvas acima da média em várias províncias e abaixo da média no Sul e Sudeste do país.
  • Rafael Lucas recomenda actualização de planos de contingência e medidas de prevenção para minimizar riscos climáticos.

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SaharaWire Newsroom
SaharaWire

Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.