De acordo com dados do Portal Infoescolas, cerca de 40% dos alunos de nacionalidade cabo-verdiana reprovaram pelo menos uma vez ao longo do 3.º ciclo do ensino básico (7.º, 8.º e 9.º anos). Essa percentagem coloca Cabo Verde entre as comunidades estrangeiras com maior índice de retenção em Portugal. Os dados abrangem cerca de 1.175.000 alunos matriculados em mais de 5 mil estabelecimentos de ensino, públicos e privados.

Os relatórios do portal Infoescolas mostram que os alunos estrangeiros de língua oficial portuguesa estão entre os grupos que enfrentam maiores taxas de retenção e dificuldades em concluir o 3.º ciclo sem chumbar. Em comparação com estudantes vindos da Europa de Leste ou da Ásia, os alunos cabo-verdianos e de outros países africanos de língua portuguesa apresentam resultados mais baixos.

Especialistas e dados complementares da DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência) indicam que as barreiras socioeconómicas e os desafios de integração estrutural nas escolas públicas portuguesas são factores decisivos nos resultados dos alunos cabo-verdianos. Segundo o sociólogo Nardi Sousa, as condições socioeconómicas e escolares dos pais, as habilitações literárias dos pais e o recurso cultural e simbólico são factores importantes para o sucesso dos alunos.

A esmagadora maioria dos estudantes com ascendência cabo-verdiana concentra-se na Área Metropolitana de Lisboa, principalmente nos concelhos de Sintra (22,1%), Amadora (18,0%) e Lisboa (7,5%). Existe uma forte vulnerabilidade económica, com 54,0% destes alunos a necessitarem de apoio financeiro através da ASE (Acção Social Escolar), em comparação com os 29,9% registados nos alunos autóctones.

Os últimos dados do Portal Infoescola mostram que no 1.º ciclo, enquanto 94% dos alunos portugueses concluem os primeiros anos de escolaridade nos quatro anos previstos, apenas 77% dos colegas estrangeiros o conseguem. No 3.º ciclo, 73% dos estrangeiros completaram este ciclo sem chumbos, enquanto, entre os portugueses, a proporção sobe para os 89% — uma diferença de 16 pontos percentuais.

Focando no 3.º ciclo, 74% dos alunos brasileiros e angolanos concluíram o percurso em três anos, mas entre os estudantes da Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, essa percentagem pouco passou dos 60%. Já os estudantes provenientes da China (88%), Venezuela (83%) da Ucrânia (80%) e de França (76%) alcançaram resultados mais próximos dos colegas portugueses.

O problema não é novo e é global. Dados de 1997/98 já indicavam que os cabo-verdianos apresentavam uma situação particularmente preocupante em termos de taxas de desistência e aprovação. A situação persiste em Portugal e também nos EUA, onde relatórios de distritos escolares e estudos sociológicos apontam tendências gerais sobre o percurso dos estudantes cabo-verdianos e os desafios de integração.

Key points

  • Cerca de 40% dos alunos cabo-verdianos reprovaram pelo menos uma vez no 3.º ciclo do ensino básico em Portugal.
  • As barreiras socioeconómicas e os desafios de integração estrutural são factores decisivos nos resultados dos alunos cabo-verdianos.
  • A situação dos alunos cabo-verdianos é particularmente preocupante em comparação com outras comunidades estrangeiras em Portugal.

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Reporting for SaharaWire from the Nairobi bureau.